Trump sobe o tom com Irã e ataque israelense mata médicos, mulheres e crianças no Líbano

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, subiu o tom e alertou o Irã para “se organizar logo” após uma proposta que adiaria um acordo sobre o programa nuclear do país. A declaração, que indica impaciência com a demora em se chegar a um compromisso de paz que abra a passagem pelo Estreito de Ormuz, foi feita nesta quarta-feira (29) pela rede social do magnata, a Truth Social.

“O Irã não consegue se organizar”, escreveu Trump. “Eles não sabem como assinar um acordo não nuclear. É melhor se organizarem logo!”

O presidente incluiu uma foto gerada por inteligência artificial de si mesmo carregando um fuzil de assalto, com bombas explodindo em uma encosta atrás dele. Uma faixa sobre a imagem dizia: “CHEGA DE SER BONZINHO!”. As últimas ameaças surgem em meio à crescente incerteza em torno do frágil cessar-fogo entre os EUA e o Irã, dias depois de o estadunidense ter cancelado a última rodada de negociações.

Embora Washington tenha afirmado estar analisando a proposta de Teerã, a resposta teria sido morna, com a Casa Branca enfatizando que Trump “não se deixaria pressionar a fechar um mau acordo” e que “o Irã jamais poderá possuir uma arma nuclear”.

Trump instruiu seus funcionários de segurança nacional a se prepararem para manter o bloqueio que impôs aos portos iranianos por um período prolongado, com o objetivo de compelir Teerã a abandonar seu programa nuclear, segundo reportagem do O Wall Street Journal.

De acordo com o jornal, Trump não acredita que o Irã esteja negociando de boa-fé; ele espera forçar a república islâmica a suspender o enriquecimento de urânio por 20 anos e aceitar restrições estritas posteriormente.

TEM Al JazeeraRob Geist Pinfold, professor de segurança internacional no King’s College London, disse que “já ultrapassamos a fase… de uma guerra física”, mas que tanto Teerã quanto Trump se encontravam em uma fase de “competição acirrada”.

“Basicamente, ambos os lados estão tentando sinalizar ao outro que possuem mais resiliência, que o tempo está a seu favor”, disse Pinfold. A proposta de Teerã “adia todas as questões difíceis para mais tarde”, priorizando o fim da guerra e a reabertura do Estreito de Ormuz.

“(Mas a tática) simplesmente não funciona para os estadunidenses porque eles sentem que, se desistirem da principal vantagem que têm — a vantagem da força física — a guerra pode recomeçar”, acrescentou Pinfold.

Guerra financeira

Em publicação no X na noite de terça-feira (28), o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse que seu departamento “visou a infraestrutura bancária paralela internacional do Irã, o acesso a criptomoedas, a frota paralela e as redes de aquisição de armas”.

Na semana passada, o Tesouro sancionou uma refinaria de petróleo chinesa independente por comprar centenas de milhões de dólares em petróleo iraniano, juntamente com 40 empresas de transporte marítimo e embarcações supostamente operando como parte da frota paralela do Irã. Bessent afirmou que tais ações “interromperam dezenas de bilhões de dólares em receitas” e contribuíram para a depreciação “rápida” da moeda iraniana.

O rial iraniano atingiu, nesta quarta-feira (29), seu nível mais baixo em relação ao dólar desde a instauração da república islâmica em 1979, segundo diversas plataformas de monitoramento de câmbio.

Por volta das 9h30 GMT (6h30 em Brasília), um dólar era negociado, com base na taxa de câmbio informal, a 1,80 milhão de riais. O euro, por sua vez, era negociado a 2,10 milhões de riais, de acordo com as plataformas Bonbast e AlanChand.

Líbano

Pelo menos sete pessoas morreram, incluindo médicos e socorristas, e 21 ficaram feridas em um ataque israelense a Jebchit, sul do Líbano, segundo o Ministério da Saúde libanês. Entre os feridos no ataque da noite de terça-feira (28), estão quatro crianças e nove mulheres.

O presidente do Líbano, Joseph Aoun, afirma que Israel está enganada “se acredita que pode alcançar a segurança por meio de violações e da destruição de aldeias fronteiriças”. O mandatário disse também que o que pode de fato proteger as fronteiras é a presença de toda a força do Estado libanês no sul do país.

“Estamos fazendo todos os esforços para chegar a uma solução para a situação atual, e essa solução pode ser alcançada por meio de negociações. Israel deve implementar um cessar-fogo antes de prosseguir com as negociações”, disse ele.

A correspondente da Al Jazeera na Palestina, Nour Odeh, diz que a percepção entre os israelenses “é de que Israel não tem controle sobre o Irã e nem mesmo sobre a retomada da guerra no Líbano, uma demanda popular. De modo geral, a população sente-se traída pelo governo israelense”.

“Há também preocupações expressas na mídia israelense sobre as atividades do exército de Israel no Líbano. Há relatos de demolições, saques e quebra da ordem. A liderança política israelense, que não goza do mesmo apoio popular que o exército, não tem uma resposta clara sobre como resolver a situação na fronteira norte, incluindo como desarmar o Hezbollah de forma realista.”

A Organização das Nações Unidas (ONU) disse que mais de 1,2 milhão de pessoas no Líbano (mais de 20% da população) devem enfrentar fome aguda devido aos ataques israelenses. Cerca de 1,24 milhão de pessoas — quase um quarto da população analisada — devem enfrentar insegurança alimentar em níveis críticos ou piores entre abril e agosto de 2026, afirma uma declaração conjunta da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), do Programa Mundial de Alimentos (PMA) e do Ministério da Agricultura do Líbano.

Isso representa uma “deterioração significativa” em relação ao período anterior ao início da guerra, em março, “quando cerca de 874 mil pessoas, aproximadamente 17% da população, vivenciavam insegurança alimentar aguda”, diz a declaração.

“A deterioração se deve ao conflito, ao deslocamento e às pressões econômicas.”

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