Greves não têm ganhado tanto espaço, mas trazem mensagem clara, diz sociólogo do Dieese

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Um levantamento do Sistema de Acompanhamento de Greves do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apontou que houve um aumento de 14% no número de paralisações em 2025, na comparação com 2024. Foram 1.006 greves em 2025 contra 880 no ano anterior.

Em entrevista ao Conexão BdFsim Rádio Brasil de FatoRodrigo Linhares, sociólogo e técnico do Dieese, considera que o aumento não é expressivo, mas que existe, sim, a continuidade de um padrão nos últimos anos. Para ele, há algumas demandas, como as ligadas a setores como educação, já bastante compreendidas dentro do mecanismo do funcionalismo público, mas que impactam de forma mais aguda, por exemplo, a comunidade escolar.

Ao mesmo tempo, na avaliação de Linhares, a mobilização grevista não tem ganhado tanto espaço nem tração no debate público. “Infelizmente, não é um assunto que a gente discute com frequência, mas elas têm trazido uma mensagem muito clara de que existem coisas que não estão funcionando bem”, diz.

“Uma delas, a principal, eu diria, é a terceirização dos serviços de saúde em hospitais, unidades básicas de saúde, projetos de terceirização de gestão de escolas. Mesmo relação de terceirização entre empresas privadas. Existe, nesse tipo de contratação, uma espécie de permissividade em que a empresa terceirizada alega que não recebe da empresa contratante aquilo que é devido e que, por isso, não pode pagar salário. Então a gente vê surgir esse tipo de greve de categorias muito específicas”, explica.

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