Daqui a um mês, os colombianos vão às urnas para escolher o sucessor de Gustavo Petro na presidência do país. O candidato Iván Cepeda é o escolhido pelo campo da esquerda para esse desafio.
O pleito será inevitavelmente impactado pela atual situação da América Latina, que vive sob a ingerência do governo de Donald Trump em dois países: Cuba, que resiste à asfixia energética no processo mais duro da história das sanções estadunidenses; e Venezuela, que foi atacada pelos EUA em 3 de janeiro, quando o presidente Nicolás Maduro foi sequestrado.
Esse é o tema do videocast O Estrangeiro desta semana, que recebeu o correspondente do Brasil de Fato na Venezuela, Leonardo Fernandes, e Giovani del Prete, coordenador da Alba Movimentos e do Movimento Brasil Popular.
Fernandes fala sobre a primeira visita de um chefe de Estado desde o sequestro de Maduro. Iván Duque havia rompido com o governo venezuelano, mas, desde a chegada de Petro à presidência da Colômbia, as relações entre os dois países haviam sido normalizadas.
Os resultados práticos da visita já podem ser sentidos, já que nesta quarta-feira (29) foi religado o sistema binacional energético entre os dois países. “Esse sistema de transmissão foi inaugurado lá nos anos 2000 e ele serviu durante esses anos para que a Venezuela e a Colômbia pudessem cooperar para que a Colômbia pudesse vender o excedente de produção de energia para a Venezuela, que enfrenta um sério problema no sistema elétrico, claro, agora agravado pelas consequências do bloqueio econômico dos EUA.”
Leonardo Fernandes também relata que o encontro tratou de questões de segurança, especialmente no que diz respeito à fronteira, onde há fluxo dos dois lados, mas, com destaque, a entrada de colombianos em território venezuelano, que buscam refúgio do conflito armado na Colômbia. “É o restabelecimento de uma relação histórica que beneficia a população”, destaca.
Diante desse cenário, os analistas concordam que uma intervenção dos Estados Unidos na eleição da Colômbia é dada como certa. “Basta saber em qual nível será”, afirma o correspondente do BdF.
Por essa razão, uma das estratégias da esquerda é tentar de tudo para vencer no primeiro turno. Giovani del Prete afirma que o movimento progressista, que tem ganhado cada vez mais espaço na política colombiana, se dá pela constatação, por parte da população, de que um projeto político de esquerda é possível e pode ser bom. Por essa razão, Cepeda tem sido apontado como favorito, mas Prete alerta para a violência política premente. “Ele tem muita proteção do povo, então é uma campanha que vem empolgando bastante. Até escrevi um texto esses dias citando as últimas pesquisas, que estavam indicando na casa dos 30 e tantos por cento das intenções de voto. Até agora, acho que dois dias atrás, lançaram uma nova pesquisa e o Cepeda já está com 44%. O sonho de ganhar no primeiro turno está na cara”, afirma.
O analista explica que, apesar da violência política na Colômbia, existe uma percepção geral de melhora na vida da população, especialmente depois de tanto tempo em que o povo foi machucado pela direita no país. “O país vem crescendo economicamente, vem caindo a taxa de desemprego e a taxa de feminicídio. Tem um resultado econômico que dá para sentir no bolso das pessoas. Obviamente dá para melhorar, mas ele encarou reformas como a trabalhista e o debate público se capilarizou”, argumenta.
Confira o programa completo abaixo:
Para ouvir e assistir
Ó podcast O Estrangeiro vai ao ar semanalmente às quartas, às 15h, disponível nos canais do Brasil de Fato.

