A luta da classe trabalhadora pelo fim da escala 6×1

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O mês de maio chegou e, com ele, intensificam-se as mobilizações nacionais em defesa dos direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras. A bandeira de luta mais importante deste ano, sem dúvida, é o fim da escala 6×1. A campanha, iniciada pelo Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), botou o dedo na ferida, conseguiu dialogar com a dor da classe trabalhadora e ganhou repercussão internacional.

A razão é evidente. Ninguém aguenta mais trabalhar seis dias consecutivos para ter direito de descansar apenas um dia na semana. A vida pessoal não cabe nestas 24 horas. Mas, até que essa chaga coletiva fosse identificada e apontada de forma incisiva, ninguém parecia perceber que a origem do cansaço extremo acumulado estava justamente neste modelo de exploração incentivado pelo capitalismo. Um sistema que é uma máquina de moer gente para satisfazer interesses econômicos e dar lucro a grandes empresários, em nome de uma pseudo produtividade.

A jornada 6×1 impede que balconistas de farmácia, caixas de supermercado, garçons, atendentes e várias outras categorias profissionais tenham direito ao convívio com a família. Essa mesma família, tão supostamente defendida pelos conservadores, cristãos e “cidadãos de bem”. Hipocrisia que fala, né?! E sabemos que essa situação é ainda mais grave no caso das mulheres, que costumam ter jornada dupla, e até tripla. Sobre elas sempre recai o peso das tarefas domésticas e de cuidado com filhos, idosos e parentes doentes.

O presidente Lula enviou um projeto de lei para a Câmara dos Deputados, em regime de urgência, com regras para colocar um ponto final neste modelo de exploração. A proposta do governo federal defende a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, a garantia de dois dias de descanso remunerado (escala 5×2) e a proibição de qualquer redução salarial. Também está em tramitação no Congresso a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 8/2025, que propõe o fim da escala com apenas uma folga semanal, sem diminuição de salário, e a redução da jornada para 36 horas semanais.

Historicamente, nenhum direito trabalhista caiu do céu para o povo brasileiro. Qualquer avanço, por menor que fosse, foi conquistado às custas de muito suor, resistência e mobilização popular. Graças à luta da sociedade civil organizada, travada nas últimas décadas, hoje temos férias remuneradas, 13º salário, FGTS, licenças maternidade e paternidade, adicional noturno, seguro-desemprego e uma política de valorização do salário mínimo com reajuste acima da inflação todo ano. Este último direito foi interrompido apenas durante o (des)governo golpista de Bolsonaro.

Contudo, hoje também temos uma elite financeira e um Congresso composto, majoritariamente, por inimigos do povo. Não faltam argumentos e manifestações contrárias ao fim da escala 6×1 na grande mídia neoliberal, na Faria Lima e nos corredores do Congresso, mesmo que por lá os deputados trabalhem na escala 3×4, quando muito. Um levantamento do site Poder 360 mostra que, em 2024, os deputados federais tiveram de trabalhar obrigatoriamente por apenas 67 dias dos 315 completos na data da pesquisa. O que dá, em média, um dia e meio de labuta por semana. Você acha justo que este parlamentar, que recebe salário de R$46 mil, seja responsável por decidir se você, que ganha pouco mais de R$1.621, pode deixar de (sobre)viver na escala 6×1?

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O Partido Liberal (PL), junto com a base de deputados da extrema direita, está se movimentando lá em Brasília para empurrar com a barriga e adiar a votação do projeto para depois das eleições. O objetivo é ganhar tempo para tentar amenizar a lei e favorecer empresários que lucram com a exploração de trabalhadores. Por que essa galera fã de Bolsonaro quer tanto obrigar a classe trabalhadora a ficar numa escala que precariza a vida do povo? Porque eles sabem que essa pauta será decisiva nas eleições de outubro. Quem votar contra o fim da escala 6×1 terá grandes chances de não se reeleger.

Por isso, é hora de ocupar as ruas e pressionar o Congresso a aprovar o direito ao descanso sem redução salarial, conquista que fará enorme diferença na vida de milhões de brasileiros e suas famílias. Aqui no Rio de Janeiro, a tradicional manifestação do 1º de maio será na Praia de Copacabana, na altura do posto 5, a partir das 14h. Nós, do Movimento dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST), manifestamos publicamente nosso compromisso com a luta pelo fim da escala 6×1. Seguimos juntos na construção de um futuro mais digno para a classe trabalhadora brasileira.

*Maíra do MST é vereadora da cidade do Rio de Janeiro, professora de História e doutoranda em História pela UERJ

**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

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