O presidente da Federação Palestina de Futebol, Jibril Rajoub, se recusou a cumprimentar o vice-presidente da Federação Israelense de Futebol, Basim Sheikh Suliman, durante o 76º Congresso da Fifa realizado em Vancouver, no Canadá, nesta quinta-feira (30), apesar da insistência do presidente da associação, Gianni Infantino.
“Nós estamos sofrendo”, afirmou Rajoub a Infantino, diante da insistência do presidente da Fifa. “Não posso apertar a mão de alguém que os israelenses trouxeram para encobrir seu fascismo e genocídio”, completou.
O presidente da Federação Palestina também se recusou a participar de uma sessão de fotos ao lado de Suliman. A situação ocorreu após ambos terem discursado aos demais representantes das federações de futebol.
Infantino, que também ignora os ataques dos Estados Unidos, país sede da Copa do Mundo de 2026, contra outros países, usou um discurso demagógico para tentar reduzir o contragimento causado. “Vamos trabalhar juntos, presidente Rajoub, vice-presidente Suliman. Vamos trabalhar juntos para dar esperança às crianças. São temas complexos”, disse o presidente da Fifa.
“O que está acontecendo na Palestina é terrível: a destruição de todas as instalações esportivas palestinas em Gaza, o assassinato de centenas de atletas e membros de equipes palestinos. Acredito que chegou o momento de fazer justiça”, afirmou Rajoub a jornalistas, após o evento.
“O indivíduo que falou em nome de Israel sequer reconheceu o sofrimento, o que de fato está acontecendo. Me recusei a apertar a mão dele. Como eu poderia apertar a mão ou posar para uma foto com um homem assim?”, acrescentou o dirigente palestino.
Rajoub também protestou contra a Fifa por não aplicar seus estatutos de forma justa. Ele reclamou da presença de clubes israelenses em áreas do território palestino.
Em 2024, especialistas da Organização das Nações Unidas apontaram que pelo menos oito clubes de futebol de Israel haviam sido identificados realizando seus jogos em “assentamentos coloniais israelenses”. Eles exigiram que a Fifa “cumprisse sua responsabilidade em respeito aos direitos humanos”.
Irã
No mesmo evento, frente à ausência de representantes da Federação Iraniana de Futebol, Infantino voltou a afirmar que a seleção do Irã jogará a Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos.
“Deixe-me começar do início: é claro que o Irã participará da Copa do Mundo de 2026. E é claro que o Irã jogará nos Estados Unidos da América”, disse Infantino.
O Irã se classificou para o torneio, mas ameaçou retirar sua participação após os ataques dos Estados Unidos e de Israel. O país persa pediu à Fifa para jogar em locais alternativos, já que a sede do grupo G, no qual está o Irã, seria nos EUA. A Fifa rejeitou o pedido, insistindo que a programação atual deve ser mantida.

