Sob o lema “A Pátria se defende”, mais de meio milhão de cubanos se mobilizaram nesta sexta-feira (1º) em Havana para comemorar o Dia Internacional dos Trabalhadores. A mobilização começou antes do amanhecer, partindo de quatro pontos diferentes da capital, onde ocorreram vigílias, e culminou na emblemática Tribuna Anti-Imperialista José Martí, um gigantesco espaço aberto localizado no Malecón havanero, em frente à embaixada dos Estados Unidos.
A convocação foi feita pela Central dos Trabalhadores de Cuba (CTC), que, por meio de um comunicado, afirmou que “celebrar o 1º de Maio é demonstrar a unidade dos cubanos e seu patriotismo”. Além disso, fez um chamado para “defender o país em cada trincheira: nos campos, nas fábricas, nas salas de aula, nos centros científicos, nas termelétricas, nos hospitais, na cultura e no esporte”.
Este ano, a mobilização ocorreu em um contexto de crescente agressão do governo dos Estados Unidos contra Cuba. Desde janeiro, a Casa Branca mantém uma política agressiva de asfixia energética contra a ilha, ameaçando sancionar qualquer país que “venda ou forneça petróleo” a Cuba. Além disso, nas últimas semanas, a administração de Trump ameaçou reiteradamente a ilha caribenha com um possível ataque militar.
“Vim, em primeiro lugar, pela Revolução. Porque me sinto patriota. E por convicção de defender meu país a qualquer custo: até o último suspiro. Se eu tiver que pegar um fuzil para lutar por nossa pátria, eu pegarei”, garante Luzmeidy Diaz-Sanchez, trabalhadora autônoma, em conversa com o Brasil de Fato. “Quero minha pátria em paz, vivendo com nosso governo. Quero defender nossas convicções”, acrescenta.
O ato foi liderado pelo presidente Miguel Díaz-Canel, pelo General de Exército Raúl Castro e pelo presidente da Comissão Organizadora do Congresso da CTC, Osnay Miguel Colina Rodríguez. Além disso, contou com a participação de 827 brigadistas de 38 países, pertencentes a organizações sindicais e movimentos de solidariedade, que viajaram a Cuba para marchar no dia 1º de maio.
“É muito importante para nós poder ver de perto a realidade do país”, conta ao Brasil de Fato uma jovem sindicalista uruguaia do PIT-CNT. Acompanhada de uma imensa delegação uruguaia, ela explica que é a primeira vez que viaja à ilha e acrescenta: “É nosso dever defender Cuba, que durante tantas décadas tem sido infinitamente solidária com nosso povo”.
No momento central do ato, foi anunciado que mais de seis milhões de pessoas maiores de 16 anos aderiram à iniciativa “Minha assinatura pela Pátria”, uma campanha lançada em 19 de abril em defesa da paz e em repúdio às agressões dos Estados Unidos. A campanha tinha como objetivo apoiar a “vocação irrenunciável pela paz, essência da nação cubana”.
Ludmila Saleta Ruiz, uma das milhões de signatárias da iniciativa, afirma que, junto às colegas de trabalho, se mobiliza para “dar um voto, um sim, pela Revolução”, acrescentando: “Porque somos trabalhadores. Porque estamos cheios de alegria, de convicção, de que podemos apoiar nosso país, de que podemos dar o melhor de nós para sermos livres, para sermos capazes, por nós mesmos, de apoiar nossa Revolução.”

