Chuvas deixam mortos, desalojados e cidades em alerta em Pernambuco

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As chuvas intensas que atingem o Grande Recife e a Zona da Mata de Pernambuco nesta sexta-feira (1º) provocaram alagamentos, deslizamentos e deixaram famílias desalojadas em diferentes municípios da região. Ao longo do dia, o cenário se agravou com o registro de mortes. Pelo menos quatro pessoas morreram em deslizamentos de terra, entre elas duas crianças, segundo informações das autoridades locais.

Na capital pernambucana, ao menos 80 pessoas precisaram deixar suas casas e foram encaminhadas a abrigos públicos, enquanto equipes de resgate atuaram para retirar moradores ilhados. Um dos deslizamentos ocorreu no bairro de Dois Unidos, no Recife, onde uma mulher de 24 anos e o filho morreram após a casa da família ser atingida.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, 55 pessoas foram resgatadas em áreas alagadas nos bairros de Cajueiro, no Recife, e Peixinhos, em Olinda. O volume de água fez rios como Capibaribe e Sirigi transbordarem, agravando a situação em cidades da Região Metropolitana e da Zona da Mata Norte.

Além dos alagamentos, deslizamentos de terra foram registrados em Olinda, onde cinco casas foram destruídas no bairro de Passarinho. Uma jovem de 20 anos e o filho de seis meses morreram soterrados. O ramal Jaboatão do Metrô do Recife precisou ser interditado, e ruas e avenidas importantes da capital ficaram tomadas pela água, dificultando a circulação de pedestres e motoristas.

Em Abreu e Lima, o acumulado de 150 milímetros de chuva em apenas 12 horas colocou o município em estado de alerta. A medida busca atender moradores de áreas de risco diante da previsão de continuidade das chuvas. A prefeitura abriu um abrigo preventivo em uma escola da rede municipal e registrou ocorrências como quedas de árvore, pontos de alagamento e deslizamento de pequeno porte.

O volume de chuvas também impactou outros municípios. Em Goiana, na Zona da Mata Norte, foram registrados mais de 200 milímetros nas últimas 24 horas, e cerca de 300 pessoas precisaram deixar suas casas. Já em Timbaúba, onde foi decretada situação de emergência, ao menos 11 famílias ficaram desabrigadas e 52 desalojadas.

A Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) mantém alerta vermelho para a Região Metropolitana do Recife e a Zona da Mata, indicando risco elevado de novos alagamentos, deslizamentos e transbordamento de rios. O aviso segue válido até o sábado (2), com previsão de pancadas de chuva de intensidade moderada a forte ao longo do período.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também emitiu alerta laranja para parte do Nordeste, com previsão de chuvas intensas e ventos que podem chegar a 100 km/h.

Resposta do governo federal

Diante do cenário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou que acionou apoio federal às áreas atingidas. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que conversou com o ex-prefeito do Recife João Campos e o senador Humberto Costa (PT-PE) sobre a situação e determinou medidas emergenciais.

Segundo Lula, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional mobilizou a Defesa Civil Nacional para dar suporte às cidades, incluindo o reconhecimento de situação de emergência e o envio de técnicos. Já o Ministério da Saúde acionou a Força Nacional do SUS para atendimento às vítimas.

“O Governo do Brasil segue acompanhando a situação para prestar toda a ajuda necessária”, declarou o presidente.

A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSDB), afirmou que acompanha a situação diretamente da sede da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), no Recife, e destacou que equipes estaduais estão mobilizadas em regime de plantão.

Em publicações nas redes sociais, ela disse que o governo atua com “atenção redobrada” nas áreas mais vulneráveis e defendeu ações rápidas de socorro, desobstrução e apoio humanitário, além de apontar problemas estruturais acumulados ao longo dos anos diante do impacto das chuvas.

Rios em alerta e população em risco

Com o solo encharcado e o nível dos rios elevado, o risco de novos incidentes segue alto. Mais de mil pessoas estão fora de casa em todo o estado, sendo cerca de 900 acolhidas em abrigos. Ao todo, 23 unidades estão em funcionamento para receber famílias afetadas.

Municípios como Timbaúba já decretaram situação de emergência após acumulados elevados de chuva, com impactos em áreas urbanas e rurais, incluindo danos a estradas e pontes.

As autoridades orientam que moradores de áreas de risco busquem abrigos disponibilizados pelas prefeituras e acompanhem os alertas oficiais. A previsão de continuidade das chuvas mantém equipes em estado de prontidão em toda a região.

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