Após 1º encontro na Colômbia, coalizão de países pelo fim dos combustíveis fósseis espera a adesão de China e África

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Os países que participaram da 1ª Conferência sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, em Santa Marta, na Colômbia, que terminou na quarta-feira (29), pretendem ampliar o número de nações do bloco, entre eles, China e o Grupo Africano de Negociadores (AGN), composição de 54 nações africanas que participam da UNFCCC (Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima).

A intenção é começar a angariar novos participantes já na 31ª Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, que acontece no final do ano na Turquia. A proposta de desenhar um caminho para o fim do uso de combustíveis fósseis surgiu na COP 30, que aconteceu em Belém em 2025.

“A China é o país óbvio. Não existe resposta para a crise energética nem para a crise climática sem a China. Ela é o país que está fornecendo tecnologia para a transição”, apontou o coordenador de Política Internacional do Observatório do Clima, Claudio Angelo.

Já os países africanos não têm se sentido seguros para embarcar na coalização, por causa da escassez de oferta de energia, avalia Angelo. “Eles têm medo de que as políticas de transição inviabilizem a vida das pessoas, já que boa parte da população não tem acesso à energia e adota o carvão e os derivados de petróleo, muitas vezes subsidiados, para solucionar o problema”.

Na COP 30, por exemplo, os países do grupo africano foram alguns dos que bloquearam a inclusão da proposta de um mapa do caminho para o fim dos combustíveis fósseis no texto final do encontro.

Para o coordenador do observatório, é preciso que eles entendam a importância e que há alternativas com energia renovável para a solução de escassez de energia.

“(A transição) precisa envolver todo mundo. Os outros países precisam entender que a proposta é de verdade e que essa coalização está disposta a realmente começar sua transição.”

Lição de casa

No final da conferência, os países presentes assumiram o compromisso com a transição. “A coisa mais importante da conferência da Santa Marta foi ela acontecer, porque você levou os países, abriu um canal de diálogo e, como bônus, ainda deu tarefa para essa turma toda”, aponta Angelo.

São três principais pontos de trabalho propostos: criação de um roteiro para a transição, promoção de uma mudança na nova arquitetura financeira para a saída do petróleo e entrada de energias renováveis, e um desenho entre produtores e consumidores para a transição. Para orientar os países, foi lançado no encontro um painel científico permanente.

Além da Colômbia, o encontro teve a participação da Holanda na organização. A próxima conferência será organizada pela Irlanda e acontecerá em Tuvalu, país insular da Oceania com cerca de 11.000 habitantes, que enfrenta alto risco de submersão pelas águas marinhas até 2050 devido à mudança climática.

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