O Festival do Trabalhador e Trabalhadora, em Passo Fundo, região norte do estado, neste 1º de Maio, encerrou com o canto das principais faixas da banda Chimarruts, atração principal do evento.
Um dos destaques da programação foi a Feira de Economia Solidária e Criativa, que reuniu empreendedores, cooperativas e artesãos da região, promovendo geração de renda e valorização da produção local. Com 30 expositores da economia popular e solidária, dois palcos e 11 atrações artísticas, o Festival reuniu, ao longo do dia, cerca de 5 mil pessoas no Parque da Gare.

Neste ano, as centrais sindicais optaram por uma atividade cultural, que colocasse as bandeiras de luta no meio da população. O dirigente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) Regional Planalto, Rogério Barbosa, destacou o formato diferenciado da atividade neste ano. Segundo ele, a proposta de festival cultural buscou ampliar a participação popular. “Queremos atrair toda a população para estar aqui conosco, conversar e participar. Mas o foco continua sendo a luta”, afirmou.

Barbosa reforçou ainda as principais pautas do movimento. “Trouxemos reivindicações importantes, como o fim da escala 6×1 sem redução de salário, a luta contra os feminicídios, já que o Rio Grande do Sul apresenta altos índices de violência contra a mulher, e a defesa dos serviços públicos, especialmente do SUS”, destacou.

A diretora do SindiSaúde de Passo Fundo e Região Teresinha Perissinotto ressaltou o caráter inovador do Festival. “Estamos trazendo uma nova forma de mobilização no 1º de Maio. A luta não pode ser feita apenas com dor e tristeza, mas também com alegria”, afirmou. De acordo com ela, o público da cidade superou as expectativas. “Eu estou emocionada. As músicas, o compromisso dos artistas que estiveram aqui com a luta da classe trabalhadora. Tá maravilhoso e, se Deus quiser, ano que vem vamos repetir maior ainda.”
Mais do que um momento de celebração, o Festival também ressaltou as pautas históricas do movimento sindical. Entre as principais reivindicações estão o fim da escala 6×1, a redução da jornada de trabalho sem redução de salários, a regulamentação da negociação coletiva no serviço público, o combate à pejotização, a defesa e valorização dos serviços públicos, a oposição à reforma administrativa, o enfrentamento aos feminicídios e a defesa da democracia e da soberania nacional.

Uma oportunidade para empreendedores
Participando pela primeira vez do evento, o agricultor Darcilei Fiorese, da Cooperativa Coperlat, do município de Pontão, destacou a importância da feira. “Estamos com queijo e doce de leite. Estou achando a feira muito boa, é uma novidade para nós. Nunca tínhamos vindo a Passo Fundo para expor, e é uma oportunidade para as pessoas conhecerem nossos produtos”, afirmou.
As irmãs Sidiga Elgal e Namat, migrantes do Sudão, também estavam entre as expositoras. “Minha irmã ainda não fala português, mas estamos aproveitando a feira para mostrar um pouco da nossa cultura por meio do artesanato. Estamos gostando muito”, contou Sidiga.
A indígena Neiva Carmo ressaltou a importância do espaço tanto para a valorização cultural quanto para a geração de renda. “Fomos convidados para trazer nossos artesanatos. Temos peças com sementes, brincos e outros itens. É importante mostrar nossa cultura, porque não está fácil para nós. O artesanato é o que garante o alimento dentro de casa”, destacou.

Música arte e mobilização
Ao longo da tarde, o palco principal recebeu apresentações de artistas como Pedro Munhoz, Julia Helen e Ricardo Pacheco. No início da noite, a programação seguiu com Blues Jazzmine e foi encerrada com o show da banda Chimarruts.
Para a artista Julia Helen, que subiu ao palco com um repertório de pop, hip-hop, R&B e uma equipe quase toda feminina, a importância está em ocupar os espaços. “Como eu falei no show, a caminhada não é de hoje. Eu fico muito honrada em fazer parte desse grande Festival e eu fiquei muito emocionada que eles colocaram no folder a frase da minha música ‘mexeu com uma mexeu com todas’, porque, como eu falei é uma luta de todos nós, não só das mulheres.”

Além da música, o teatro também embalou a tarde. Ator há mais de quatro décadas o artista passo-fundense Guto Pasini também celebrou a participação do Grupo Ritornelo de Teatro na programação. “É muito importante a presença aqui, porque valoriza os artistas locais, já que essa é a nossa grande luta, contra essa escala 6×1 que nos escraviza. E se produz arte em toda parte, então também é legal ser valorizado como aqueles nomes mais renomados de fora daqui.” Ele ainda complementou ao pontuar que todo artista é inquieto e questionador, e que isso é uma motivação para a arte.
“Não existe nada no mundo que não foi construído pela mão do trabalhador”, foi com essas palavras que o representante da CUT Regional Planalto, Dário Delavy antecedeu a chegada da banda final do Festival. Na última manifestação antes da atração principal, os representantes sindicais reiteraram, no palco, aquilo que era o mote principal do dia: a luta pelo fim da escala 6×1 e pelo fim dos feminicídios no Rio Grande do Sul.

Com a combinação perfeita entre a arte e a política, o Festival celebrou durante o 1º de Maio não só a força da classe trabalhadora, mas, em especial, sua busca por direitos e qualidade de vida.
As atividades do Festival ocorreram simultaneamente em outras cidades do estado, como Porto Alegre e Caxias do Sul. Em Santa Maria e Pelotas, a programação será realizada neste domingo (3).
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