Os organizadores da Flotilha Global Sumud, o brasileiro Thiago Ávila e o palestino-espanhol Saif Abukeshek, foram visitados nesta segunda-feira (4) por suas advogadas no centro de detenção Shikma, em Askalan, Israel. A Adalah, organização de defesa dos direitos humanos e civis que representa os ativistas, alerta “para o abuso psicológico e os maus-tratos sofridos pelos ativistas”.
Segundo um comunicado do centro jurídico, ambos estão em seu sexto dia de greve de fome, bebendo apenas água, em protesto contra seu sequestro ilegal pela Marinha israelense em águas internacionais, enquanto participavam de uma missão humanitária para contestar o bloqueio ilegal a Gaza.
“Thiago Ávila relatou ter sido submetido a interrogatórios repetidos que duraram até oito horas. Os interrogadores o ameaçaram explicitamente, afirmando que ele seria ‘morto’ ou ‘passaria 100 anos na prisão’”, diz a nota.
Ainda de acordo com a Adalah, os ativistas estão sendo mantidos em isolamento total e condições degradantes. “Suas celas são mantidas sob iluminação constante de alta intensidade 24 horas por dia, uma prática conhecida do Serviço Prisional Israelense (IPS), especificamente projetada para induzir privação de sono e desorientação sensorial”, diz a organização. Além disso, Ávila relatou ter sido mantido em temperaturas extremamente baixas.
“Eles estão com os olhos vendados o tempo todo sempre que são retirados de suas celas, inclusive durante exames médicos. A Adalah enfatiza que vendar os olhos de um paciente durante uma consulta médica é uma grave violação dos padrões éticos da medicina”.
TEM Ópera Mundio Itamaraty informou que o Ministério das Relações Exteriores mobilizou, “preventivamente, a rede de postos na região para acompanhar os desdobramentos da missão e prestar a assistência consular devida aos integrantes brasileiros”.
Anteriormente, o órgão público havia condenado em nota conjunta com a Espanha o sequestro de Ávila e Abukeshek em águas internacionais.
“A Embaixada do Brasil em Tel Aviv presta assistência ao ativista brasileiro, inclusive na forma de visitas consulares e de acompanhamento das audiências judiciais vinculadas ao caso. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil segue trabalhando em vista da liberação do brasileiro e da completa apuração das circunstâncias de sua detenção”, declarou o Itamaraty.
Por sua vez, o embaixador Joel Sampaio, chefe de comunicação do MRE, acrescentou à Ópera Mundi que o Itamaraty “convocou a encarregada de negócios de Israel para apresentar um protesto formal pela detenção”.
Sampaio enfatizou que ainda “não há previsão” para a liberdade de Thiago Ávila e que “depende do andamento do caso na Justiça israelense”.
Os advogados da Adalah aguardam para saber se a justiça israelense apresentará um pedido de prorrogação da detenção na terça-fera (5). A extensão já havia sido anunciada no domingo para mais dois dias.
UM Ópera Mundi entrou em contato com Rasha Athamni, encarregada de Negócios da embaixada israelense no Brasil, para confirmação se o protesto formal foi apresentado. Até o momento da publicação desta reportagem, não houve retorno. O espaço segue aberto e será atualizado.

