Nos 10 anos de Belo Monte, organizações de direitos humanos denunciam violações e falta de reparação

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Os dez anos de operação da Hidrelétrica de Belo Monte, completados nesta terça-feira (5), foram marcados pela divulgação da carta “Belo Monte: dez anos de operação, mais de uma década de danos sem reparação”, elaborada por organizações da sociedade civil.

O documento, assinado pelas organizações Associação Interamericana para a Defesa do Ambiente (Aida), Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Diocese de Altamira, Justiça Global, Movimento Xingu Vivo Para Sempre, Observatório dos Povos Indígenas Isolados (OPI) e Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), destaca que comunidades indígenas, ribeirinhas e pescadores do médio Xingu seguem enfrentando impactos estruturais em seus modos de vida, uma vez que a implementação do empreendimento foi feita sem consulta à comunidade.

Ao Conexão BdFsim Rádio Brasil de FatoErina Batista, advogada do Programa de Direitos Humanos e Meio Ambiente da Associação Interamericana para a Defesa do Ambiente (Aida), afirma que a carta traz um relato do quadro de violações que ainda precisa ser enfrentado e prova que Belo Monte não é “coisa do passado”.

“O que está em jogo na volta grande do Xingu é a sobreposição de violações de direitos humanos e socioambientais das comunidades. O rio com a vazão reduzida. Belo Monte hoje compromete 80% da vazão do Rio Xingu e isso significa para as comunidades um colapso na pesca, insegurança alimentar e alteração dos modos de vida, porque a gente está falando de comunidades que não só dependem economicamente do rio Xingu, mas que constituem essa identidade a partir desse rio. A gente está falando de impactos significativos, irreversíveis no modo de vida de centenas de famílias que dependem das águas do Rio Xingu”, pontua Erina Batista.

A advogada relata mudanças significativas na alimentação das comunidades, que acabam reféns do consumo de produtos industrializados. “O pescado, que antes representava um percentual significativo na alimentação dessas comunidades, hoje é substituído por comida processada, industrializada. Essa é uma alteração drástica que vai ter impacto direto na saúde também dessa população. A gente está falando de uma cadeia de violações que vão desencadeando e constituindo essa situação bastante crítica na Volta Grande do Xingu e na região de Altamira”, conclui.

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