Gestão Tarcísio é responsável por uma das piores crises na segurança pública de SP, afirma ex-ouvidor

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De 2022 a 2026, durante a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos), o número de pessoas mortas em ações policiais aumentou 93,2% no estado de São Paulo. A tendência de alta se mantém no primeiro trimestre deste ano, quando foram registrados 142 casos, cinco a mais do que no mesmo período do ano passado.

Segundo Benedito Mariano, coordenador do núcleo de Segurança Pública da Democracia do Iree (Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa), a gestão de Tarcísio deflagrou uma das piores crises na área. “Isso se manifesta de várias formas, e uma delas é o aumento da letalidade policial. É importante lembrar as operações na Baixada Santista, que vitimaram 84 pessoas e tiveram características de vingança, em decorrência das mortes de policiais, que evidentemente repudiamos. Foram operações absurdas”, afirma.

Outros problemas apontados pelo especialista, que foi ouvidor das polícias de São Paulo, são o crime organizado e a corrupção envolvendo as corporações. Mariano também destaca a constante troca de comandos dos órgãos da segurança, o que gera inconsistência na continuidade de planos. “(O ex-secretário de Segurança Pública de SP, Guilherme) Derrite trocou metade dos coronéis da PM paulista em uma semana. Hoje nós temos uma crise da maior polícia militar do país com ações que têm característica de milícia e não de polícia”, pontua.

Mariano critica a atuação do agora deputado federal Derrite em Brasília, que resultou na desfiguração do projeto Antifacção. “Ainda bem que ele não conseguiu fazer o mesmo com a PEC da Segurança Pública”, afirma.

Para o ex-ouvidor, a PEC é de fundamental importância e precisa ser aprovada com urgência para abrir caminhos para uma política de segurança pública nacional. “Isso, no meu entendimento, se dará quando nós tivermos um órgão próprio, um órgão gestor nacional da segurança pública. Sou sempre defensor da criação do Ministério da Segurança Pública. Espero que o Congresso e o Senado Federal aprovem a PEC nesse mês de maio para que em junho, julho, o presidente Lula crie a pasta”, afirma.

Com relação ao aumento do feminicídio em São Paulo, Mariano afirma que o governo não prioriza prevenção e atendimento em delegacias especializadas. “Todas as pesquisas apontam que a maioria dos feminicídios acontece à noite ou nos fins de semana e, nesses períodos, não há unidades especializadas funcionando. Evidentemente, é preciso criar redes de apoio às mulheres, como as Patrulhas Maria da Penha, para acompanhar medidas protetivas, mas é inaceitável que mais de 80% das unidades especializadas da Polícia Civil de Defesa da Mulher estejam fechadas à noite e nos fins de semana, operando apenas em horário comercial”, destaca.

Mariano também fala em “sucateamento” da Polícia Civil em São Paulo e compara os números de agora com os de quando era ouvidor. “Hoje, faltam pelo menos 15 mil policiais civis no estado. Fui ouvidor da polícia de 1995 a 2000, no governo Mário Covas. Naquela época, a Polícia Civil tinha 36 mil agentes; hoje, não passa de 25 mil. A população aumentou, mas a Polícia Judiciária Investigativa diminuiu”, afirma.

“A atuação da Polícia Militar, por sua vez, tem sido cada vez mais repressiva”, pondera, acrescentando que o policiamento ostensivo é importante para reduzir crimes diversos, mas apenas esse tipo de abordagem não resolverá os problemas de segurança.

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