Lula é assertivo e terá êxito em defender soberania em encontro com Trump, diz analista internacional

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cumpre, nesta quinta-feira (7), agenda diplomática com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington. O encontro acontece em um momento delicado, marcado por ataques de Trump ao Pix, imposição de barreiras tarifárias, interesse em terras raras, tentativa estadunidense de transformar narcotráfico em terrorismo e ingerência dos EUA sobre a América Latina como um todo.

Do lado estadunidense, participam da reunião na Casa Branca ao lado de Trump o vice-presidente, JD Vance, a chefe de Gabinete, Susie Wiles, o representante comercial, Jamieson Greer, e os secretários do Tesouro, Scott Bessent, e do Comércio, Howard Lutnick.

Pelo governo brasileiro, Lula está acompanhado dos ministros Mauro Vieira (Itamaraty), Dario Durigan (Fazenda), Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Wellington César (Justiça e Segurança) e Alexandre Silveira (Minas e Energia). O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, também compõe a comitiva.

Para Ana Carolina Marson, professora de Relações Internacionais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), Lula deve ter êxito ao defender a soberania brasileira. “Lula é um presidente de postura bastante assertiva. Ele consegue, sim, defender a soberania do Brasil, tanto que não se curvou quando os EUA impuseram o tarifaço. Todas as vezes que ele discorda da postura de Trump, ele se posiciona”, analisa.

“É claro que as big techs têm interesse econômico, e os EUA têm interesse em acabar com o Pix, mas ele é um meio de pagamento nosso, da nossa soberania. As nossas terras raras são nossa forma de barganha no cenário internacional. É essencial para todos, mas especialmente para o Brasil.”

A professora também destaca que, entre os pontos de conversa com Trump, está a redução ou derrubada das barreiras tarifárias impostas pelos EUA. Nesse sentido, faz um alerta: “É preciso lembrar que Lula está indo negociar com Trump, um presidente que tem uma posição muito egocentrista, que pensa muito a partir do que ele acredita ser os EUA em primeiro lugar. Por isso, acho difícil que ele consiga derrubar as tarifas — mesmo que não fosse ele, qualquer presidente teria essa dificuldade. Mas Lula vai, sim, conseguir negociar”, diz.

Marson lembra que os EUA se tornaram um celeiro da extrema direita brasileira e, nesse sentido, acredita que um sucesso no encontro pode impactar positivamente a candidatura de Lula à reeleição. “Os EUA são historicamente potência no nosso continente e não podemos ignorar isso. Existe uma célula bolsonarista que está localizada nos EUA e exerce pressão sob o governo Trump para uma série de medidas em relação ao Brasil, como no caso do tarifaço, em que acredita-se que essa célula bolsonarista tenha tido influência. Se Lula for bem-sucedido, isso vai trazer ganho político para a campanha dele. Afinal de contas, esse é um dos tópicos que é levado em conta na decisão do eleitor”, afirma.

A analista internacional cita dois possíveis pontos de tensão nas tratativas: a transformação de narcotráfico em terrorismo e a guerra do Irã e suas consequências diversas. “A ala bolsonarista quer, sim, essa intervenção dos EUA no Brasil (no que diz respeito ao narcotráfico). Outro ponto crítico deverá ser a guerra no Irã. Além do óbvio, que é o aumento do preço da gasolina, temos aqui um outro ponto crítico, que é a importação de fertilizantes. E precisamos lembrar que essa é uma guerra provocada pelos EUA”, diz.

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