Após reunião com Trump, Lula fortalece imagem internacional e diminui risco de ingerência nas eleições, diz analista

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O que poderia ser algo negativo para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), um encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em ano eleitoral no Brasil, pode representar exatamente o contrário após o resultado positivo da reunião bilateral ocorrida nesta quinta-feira (7) em Washington.

Essa é a analise de Paulo Niccoli Ramirez, cientista político e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), ao Conexão BdFsim Rádio Brasil de Fato.

“É um gesto de força de dois negociadores, que se respeitam mutuamente. Claro que isso traz uma imagem mais positiva para o presidente Lula. Fora o fato de que desde o ano passado o governo também conseguiu reverter o tarifaço”, destaca.

“Lula soube negociar e melhora a sua imagem internacional. Mas eu também queria destacar que há o interesse do Trump em se encontrar com com o Lula, já que o Lula é uma figura internacionalmente reconhecida e bem vista. E estou considerando os índices de aprovação do governo Trump não param de despencar e temos eleições também nos Estados Unidos”, avalia.

Sobre o período eleitoral, apesar da força da extrema direita nos Estados Unidos, Ramirez considera improvável uma intervenção direta do governo Trump.

“O que que se entende como intervenção? A gente pode ter vários significados para isso. Uma fala de apoio ao Flávio Bolsonaro não é bem uma intervenção, é apenas uma declaração, assim como o Lula fez a Kamala contra o Trump. Mas isso é simplesmente uma manifestação de apoio que deve acontecer, já que o próprio Trump apoiou o Milei”, pondera.

Contudo, Ramirez alerta para o chama de interferência indireta a partir da força das grandes tecnologiasgrandes responsáveis pela disseminação de desinformação e influência política alinhada ao bolsonarismo. “Eu acredito que a a interferência vai ser indireta, não propriamente com Trump, mas sim com as grandes tecnologias. Não nos esqueçamos que desde a campanha eleitoral estadunidense do ano passado e depois da vitória do Trump, quando ele assume a Casa Branca, as grandes tecnologiasdesde a Meta, o antigo Facebook, passando também pelo antigo Twitter, declararam apoio e se transformaram em verdadeiros braços diretos do presidente Trump”, afirma.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

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