Greve da educação em São Paulo amplia críticas às políticas de Ricardo Nunes e Tarcísio

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Os profissionais da educação da rede municipal de São Paulo rejeitaram a proposta de reajuste salarial apresentada pela gestão de Ricardo Nunes (MDB) e decidiram manter a greve iniciada em 28 de abril. A ação integra o movimento da categoria que reivindica reposição salarial, melhorias estruturais e critica a reforma administrativa proposta pelo governo estadual de Tarcísio de Freitas (Republicanos) para o setor.

Nesta semana, o governo Ricardo Nunes propôs aumento de 3,51% para os servidores municipais, percentual inferior ao que foi negociado anteriormente com o secretário adjunto de Educação, Samuel Ralize de Godoy, e representantes da Secretaria Municipal de Gestão. Os sindicatos demandam um reajuste de 5,4%, correspondente ao índice aplicado ao piso nacional, somado a 10% de aumento real e à integração de abonos complementares aos vencimentos.

A categoria também rejeita a transição do modelo de remuneração para o sistema de subsídio, defendendo a manutenção de adicionais por tempo de serviço e evolução funcional. Na ausência de uma proposta consolidada, a manutenção da greve foi confirmada em assembleia na última quinta-feira (7). Também estão sendo organizados atos de mobilização para a próxima semana. A agenda prevê uma audiência pública na Câmara Municipal na terça-feira (12), às 10h30. No dia seguinte (13), uma manifestação e assembleia em frente à prefeitura, às 14h.

A Coordenação das Entidades Sindicais Específicas da Educação Municipal (Coeduc) afirmou que a greve dos profissionais da educação da rede municipal de São Paulo reivindica melhores condições de ensino, valorização salarial e investimentos na estrutura das escolas. Entre as demandas apresentadas estão redução do número de alunos por turma, ampliação do atendimento educacional especializado, contratação de mais profissionais, climatização das unidades e melhoria no acesso a materiais didáticos e tecnológicos.

Segundo a entidade, os sindicatos que compõem a coordenação – Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo (Sinpeem), Sindicato dos Educadores da Infância (Sedin) e Sindicato dos Especialistas de Educação do Ensino Público Municipal de São Paulo (Sinesp) – a greve foi decretada diante da “intransigência do governo Nunes”.

Já a gestão municipal informou que o reajuste de 3,51% para os servidores municipais tem como base o Índice de Preços ao Consumidor de São Paulo (IPC-Fipe) acumulado entre abril de 2025 e março de 2026. A proposta foi aprovada em primeiro turno pela Câmara Municipal. Segundo a prefeitura, a medida terá impacto superior a R$ 1 bilhão por ano na folha de pagamento.

Os sindicatos, porém, consideram a proposta insuficiente e apontam perdas salariais acumuladas pela categoria, destacando como prejudicial por incentivar contratações precárias, abrir margem para contratações temporárias, alterar cargos da educação infantil e incentivar privatizações no setor educacional.

O cenário de tensão envolve também a reforma administrativa proposta pelo governador Tarcísio de Freitas para a rede estadual. O Projeto de Lei 1316/2025 prevê mudanças na progressão funcional e estabelece avaliações de desempenho vinculadas à remuneração dos docentes, além da possibilidade de desligamento de profissionais que não atinjam metas estipuladas. Entidades sindicais afirmam que o projeto amplia a precarização do trabalho docente e intensifica a pressão sobre os profissionais da educação.

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