O artista pernambucano Revoredo lançou o projeto “Fino Fio” em todas as plataformas digitais, uma novela musical que une canção, poesia, performance e dramaturgia sonora em uma experiência narrativa. A obra chega ao público como parte das celebrações pelos 30 anos de trajetória do artista, marco que também motivou um show especial realizado no Centro Cultural Sesc Garanhuns, onde o trabalho foi apresentado previamente em formato ao vivo.
Apresentado como uma narrativa sonora, “Fino Fio” propõe um deslocamento do formato tradicional de álbum para um território híbrido, no qual cada faixa funciona como um capítulo de uma história maior. A obra investiga o amor e a paixão não como opostos, mas como forças que se atravessam e se confundem. A proposta é conduzir o ouvinte por uma travessia sensível, marcada por tensões, delicadeza e risco.
Segundo o artista, o projeto nasce da ideia de equilíbrio instável. A metáfora do fio, que dá nome à obra, sustenta a narrativa ao sugerir um caminhar delicado, em que qualquer movimento pode ser decisivo. A escuta, nesse sentido, exige atenção e disponibilidade, convidando o público a se implicar na experiência.
O lançamento do trabalho completo é resultado de um processo iniciado em novembro de 2025, quando Revoredo passou a divulgar, de forma gradual, os primeiros fragmentos da obra. Os singles “Poema Ingênuo”, em parceria com Kleber Albuquerque, “Romance Épico” e “A Paixão”, com participação de Zé Manoel, funcionaram como antecipações dessa construção narrativa, permitindo que o público acompanhasse o desenvolvimento do projeto ao longo dos meses.
Na versão integral, “Fino Fio” se apresenta como uma peça híbrida que entrelaça música e palavra falada. Entre as canções, surgem recitações poéticas interpretadas por vozes femininas da cena contemporânea, como Babi Jaques, Eliza Morenno, Luna Vitrolira e Mariana Guimarães. As participações ampliam a dimensão sensível da obra e reforçam sua proposta de novela musical, na qual os elementos sonoros se organizam em fluxo contínuo, aproximando a escuta de uma experiência cinematográfica.
Faixas como “Breve Prelúdio”, com participação de Babi Jaques, introduzem o universo do projeto, enquanto a faixa-título, em parceria com Zeh Lucas, sintetiza o conceito central da obra.
Natural de Garanhuns, no Agreste pernambucano, Revoredo consolida em “Fino Fio” uma pesquisa artística marcada pela interseção entre música, literatura e artes cênicas. A relação com a palavra, elemento central em sua trajetória, ganha aqui novos contornos ao ser não apenas cantada, mas também dita e encenada.
O lançamento também marca um momento de síntese na carreira do artista que, ao longo de três décadas, vem se destacando na cena autoral pernambucana. Entre os reconhecimentos acumulados estão prêmios como o Prêmio da Música de Pernambuco de 2021 e o Prêmio Copergás 2026, no Janeiro de Grandes Espetáculos. Além da atuação como cantor e compositor, Revoredo também desenvolve trabalhos como produtor musical, educador e articulador cultural, sendo fundador do Coletivo Tear.
Ao longo de 2026, o artista ainda prevê desdobramentos de sua pesquisa, com projetos como o show comemorativo de 30 anos de carreira, “Encruzilhada Agreste”, ao lado de Gabi da Pele Preta, “Te Canto a Canção”, com Mestre Zezinho da Sanfona, e a apresentação de “Fino Fio” em formato intimista e imersivo.
Com a nova obra, Revoredo propõe menos respostas e mais uma pergunta que atravessa toda a narrativa: até onde é possível caminhar entre o amor e a paixão sem cair?

