A Reitoria da Universidade de São Paulo (USP) informou, em nota oficial, que não foi comunicada de que haveria reintegração de posse na madrugada deste domingo (10). A instituição repudiou o uso de violência em substituição ao diálogo.
“A USP repudia que a violência substitua o diálogo, a pluralidade de ideias e a convivência democrática como forma de avanço de pautas e solução de controvérsias”, diz trecho da nota.
Em comunicado publicado no site da universidade, a Reitoria afirmou que a comunicação com a Secretaria de Segurança Pública (SSP) foi realizada apenas na quinta-feira (7), após a ocupação do prédio, “com vistas à adoção dos protocolos de proteção e de preservação da ordem de competência das autoridades policiais”.
A nota ressalta ainda o comunicado da SSP de “que eventuais denúncias de excesso serão rigorosamente apuradas”.
Ao mesmo tempo, a Reitoria afirmou que encerrou o diálogo com os estudantes por entender que as pautas que poderiam ser atendidas foram acatadas pela gestão. Para a diretora do Centro Acadêmico Oswaldo Cruz (Caoc), dos estudantes de medicina e membro do comando de greve, Gabriela Zanini, as principais pautas dos estudantes não foram atendidas.
“A Reitoria se negou a assumir os bandejões (restaurantes universitários), hoje terceirizados, se negou a contratar mais funcionários para o hospital universitário, se negou a recompor o Hospital Universitário, se negou a contratar mais professores. Tudo que eles fizeram foi criar alguns grupos de trabalho. Então, foram criados grupos de trabalho para cotas trans, indígena e PCD, mas sem nenhum comprometimento de que isso, de fato, vai acontecer”, criticou a estudante.
Ela também afirma que as retaliações não se limitaram à reintegração deste domingo (10), mas estão ocorrendo desde o início da greve, com ameaças de reprovação dos manifestantes e recusa em repor os dias letivos perdidos.
O que aconteceu
Na madrugada deste domingo (10), a Polícia Militar de São Paulo realizou a reintegração de posse sem pedido judicial, ocupada pelos estudantes desde a última quinta-feira (7).
Em nota publicada pelo Diretório Central dos Estudantes de universidade, o DCE acusa a PM de agir de forma truculenta, formar um “corredor polonês” para violentar os manifestantes, além do uso de cassetetes e gás lacrimogêneo.
Os estudantes querem melhorias na qualidade da alimentação servida no restaurante universitário, aumento do pagamento das bolsas permanência e reformas estruturais na moradia estudantil.
A reportagem entrou em contato com a SSP e aguarda retorno para atualizar a matéria.

