Falta de critérios claros para recursos do Fundo Clima pode atrasar transição energética

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Um documento elaborado pelo Instituto Talanoa com o Observatório do Clima expõe os riscos da ausência de regulação e regras claras para a utilização dos recursos do Fundo Clima em projetos de captura de carbono.

Ao Conexão BdFsim Rádio Brasil de FatoLiuca Yonaha, vice-presidente do Instituto Talanoa, conta que o Fundo Clima prevê R$ 40 bilhões para esse ano e explica qual a importância do uso regulamentado e controlado desse dinheiro com o objetivo de atenuar as mudanças climáticas.

“A falta de critérios claros pode fazer com que esse dinheiro seja aplicado para mais projetos que expandam a produção combustíveis fósseis. Quando a gente fala dos combustíveis fósseis, a gente fala de queimar petróleo e liberar mais carbono na atmosfera, que só torna o planeta mais quente”, afirma.

Para ela, o recurso deve ser destinado para a transição energética, “para acelerar o desenvolvimento do país no sentido de a gente ter uma economia e uma sociedade cada vez mais descarbonizada, que dependa menos dos combustíveis fósseis, do petróleo e do carvão e do gás, que chamam natural, não é bem natural. E também investir em uma sociedade mais resiliente, adaptada para esse planeta que já está mais quente”, diz. “Acho que já está todo mundo sentindo que o planeta está mais quente, o clima do Brasil está diferente, o clima da sua cidade está diferente e a gente precisa ter mecanismos para pagar essa transformação que a gente precisa fazer na sociedade, seja da produção, da indústria, dos serviços, seja também de outros outros bens. E aí o Fundo do Clima entra nisso.”

Com relação ao mercado de créditos de carbono, Liuca Yonaha defende que é um mecanismo importante, apesar de algumas visões indicarem que isso pode estimular países emissores a seguirem emitindo. Para ela, o fundamental é colocar preço nas emissões. “Hoje há o entendimento de que o mercado de carbono é uma forma de você colocar preço na emissão, é uma forma, sim, de você incentivar essa transição, principalmente da indústria. No caso do Brasil, nós precisamos mesmo acelerar essa regulação do mercado de carbono, porque se nós não pusermos os preços aqui, vamos deixar que outros países e outros mercados coloquem o preço por nós”, defende.

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