O cooperativismo catarinense consolidou em 2025 um dos ciclos de maior expansão da sua história. As cooperativas ligadas ao Sistema OCESC (Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina) movimentaram R$ 105,7 bilhões no ano passado, alta de 15,8% em relação ao exercício anterior, com crescimento quase três vezes superior ao avanço do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, que ficou em 2,3%.
Além do avanço das receitas, o levantamento da OCESC mostra forte expansão das sobras, equivalente ao lucro nas cooperativas, que cresceram 30,8% e atingiram R$ 7,3 bilhões. Os recursos serão destinados a investimentos, fundos estatutários e distribuição entre os cooperados.
Outro dado que reforça o peso econômico e social do setor foi o crescimento do número de associados. Em apenas um ano, mais de 370 mil pessoas ingressaram em cooperativas catarinenses, elevando o total para 5,07 milhões de cooperados — o equivalente a 61% da população do estado.
“Somos o Estado mais cooperativista do Brasil”, diz Vanir Zanatta, presidente da OCESC.
Entre 2020 e 2025, as receitas totais das cooperativas mais que dobraram, saltando de R$ 46,8 bilhões para R$ 105,7 bilhões — crescimento acumulado de 126% em apenas seis anos.
As cooperativas agropecuárias também ampliaram os investimentos industriais em 2025. Foram aplicados R$ 1,34 bilhão em modernização de fábricas, expansão de unidades e construção de novas plantas industriais.
Para 2026, o setor prevê novos investimentos de R$ 1,53 bilhão, entre recursos próprios e financiamentos contratados.
Crédito lidera em associados
As cooperativas de crédito seguem como principal porta de entrada do cooperativismo em Santa Catarina. O segmento reúne atualmente mais de 4 milhões de cooperados e registrou receitas totais de R$ 28,7 bilhões em 2025, crescimento de 36% frente ao ano anterior.
Na sequência aparecem os ramos de infraestrutura, voltados principalmente à distribuição de energia elétrica, com 469 mil associados, e as cooperativas de consumo, com 467 mil cooperados.
Apesar do avanço do crédito, o agronegócio continua sendo o grande motor econômico do cooperativismo catarinense.
As 45 cooperativas agropecuárias do estado responderam por 60% das receitas globais do sistema e por 62% dos empregos diretos gerados pelas cooperativas catarinenses. O segmento encerrou o ano com receita operacional de R$ 63 bilhões, avanço de 10% em relação ao período anterior.
O setor também foi o maior gerador de vagas, criando mais de 4 mil novos empregos em 2025. Atualmente, as cooperativas agropecuárias mantêm cerca de 68 mil postos de trabalho diretos.
Exportações ganham força
O desempenho das cooperativas do agro também se refletiu no comércio exterior.
As exportações das cooperativas agropecuárias catarinenses somaram US$ 2,18 bilhões em 2025, representando 17,9% das vendas externas totais de Santa Catarina e quase 39% dos embarques estaduais de aves e suínos.
Os principais produtos exportados foram proteínas animais, cereais in natura, fertilizantes, sementes, frutas, lácteos e cereais processados.
Segundo a OCESC, a tendência é de ampliação da presença das cooperativas no comércio internacional, especialmente pela forte participação nas cadeias produtivas de grãos, leite, aves e suínos, setores que sustentam boa parte do agronegócio catarinense.
Hoje, o agro responde por cerca de 30% do PIB estadual e por aproximadamente 70% das exportações de Santa Catarina.

