Seis em cada 10 brasileiros têm medo de sofrer violência por causa de escolhas políticas ou partidárias, segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) em parceria com o Datafolha. Apesar de elevado, o índice é menor do que no cenário de 2022, quando 68% diziam temer algum tipo de violência com motivação política. Ainda, segundo a pesquisa, as mulheres se sentem mais vulneráveis: 65% afirmam ter medo contra 53,1% dos homens.
Ao Conexão BdFsim Rádio Brasil de FatoLeonardo Silva, coordenador temático do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, explica que o levantamento teve foco na percepção de segurança da população. “A gente avaliou também o quanto a segurança pública impacta os hábitos da população. Acho que nesse ponto é que aparece como as pessoas se sentem em manifestar sua opinião política, se sentem-se seguras ou inseguras para assumir esse espaço. Acredito que o contexto e a mudança do momento político que a gente vai vendo tenha contribuído para a gente ver essa variação. Importante também dizer que a gente deve sempre olhar os dados em conjunto”, explica.
A pesquisa também indica que 64% da população de baixa rende diz temer sofrer represália por conta de sua posição política-partidária. “O Brasil é um país desigual e a maior parte das pesquisas revela essas desigualdade. No campo da segurança pública, isso não é diferente. Quando você menciona esse dado, a gente observa que ele se correlaciona com outros dados da pesquisa. Grande parte desse segmento da população está convivendo em áreas dominadas por facções e milícias. Então tem um aspecto de violência muito mais presente, próximo do seu cotidiano. A gente vê então uma normalização da violência para uma parcela da população e isso transcende para vários aspectos da sua vida. Incluindo a violência após se manifestar politicamente”, pondera.
Ainda sobre o levantamento, dados indicam que 96% da população brasileira, ou seja, a maioria, têm algum medo com relação à violência urbana. “Isso demonstra que a percepção de segurança pública no Brasil precisa ser entendida como uma questão multidimensional. O medo vai desde ser assassinado, ser vítima de uma bala perdida, a morrer durante um assalto, a ser vítima de roubo ou furto de aparelho celular. Mas entram também outros elementos da dinâmica criminal recente, como o medo de sofrer golpes virtuais. A gente vai, então, observando como as novas modalidades de crimes vão sendo percebidas e entendidas pela população brasileira”, afirma Leonardo Silva.
O levantamento foi realizado em março e ouviu pessoas de 137 cidades brasileiras.
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