O senador Flávio Bolsonaro (PL) assumiu que pediu dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e responsável por uma das maiores fraudes contra o sistema financeiro do Brasil, para a realização do filme biográfico sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O que está em jogo, juridicamente, é se essa transação foi feita de forma lícita ou ilícita. E isso é o próprio Flávio quem vai ter que responder.
Ao Conexão BdFsim Rádio Brasil de Fatoo advogado e cientista político Jorge Folena destaca que o fato de Flávio já ter admitido que é íntimo de Vorcaro por si só já é escandaloso, mas o que está em debate, neste momento, é como se deu a entrada do dinheiro.
“Juridicamente, o momento político exige, por parte das autoridades, uma investigação profunda sobre toda a movimentação feita por Flávio Bolsonaro, a família Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Se Flávio disse que recebeu o dinheiro de forma lícita, ele vai ter que demonstrar isso, vai ter que provar o que está dizendo. Porque, se foi de forma lícita, tem que ter um contrato. Se não tiver, aí passa a ser ilícito. O grave é se não houver demonstração de como entrou o dinheiro”, explica.
“Isso envolve crimes de responsabilidade tributária, contra a ordem tributária e outros, em tese, do que pode se desdobrar a partir do reconhecimento de Flávio de que ele pediu o dinheiro”, afirma.
Folena também reafirma que o caso do Banco Master se trata de um grande esquema repleto de ilegalidades e fraudes contra o sistema financeiro e procura mostrar a relação antiga do negócio com a família Bolsonaro, que agora encontra esse novo capítulo envolvendo diretamente o filho mais velho de Jair e pré-candidato à presidência.
“O crescimento do Banco Master tem a ver com o governo Bolsonaro, porque é no Banco Central de Bolsonaro, é na previdência de Bolsonaro que o Banco Master vai conseguir ampliar suas atividades no mercado financeiro, inclusive fazer empréstimos consignados. Historicamente, portanto, é possível afirmar que existe uma ligação entre o Banco Master e o governo Bolsonaro? Aparentemente, sim. Porque o Banco Master, com a chegada do Jair Bolsonaro, vai surgir e crescer de uma forma meteórica, e hoje já sabemos o porquê”, aponta.
Jorge Folena também destaca como a extrema direita tentou colar o escândalo no Judiciário, com reforço de narrativas envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com Vorcaro. “Só que nós não ouvimos um diálogo com Moraes ou com Toffoli. O que ouvimos com clareza com relação ao Flávio Bolsonaro no dia de hoje é, como disse André Mendonça sobre Ciro Nogueira: ‘uma relação que ultrapassa o que seria uma mera amizade’”, afirma.
Ó Brasil de Fato também conversou com o jurista e professor de Direito Constitucional Pedro Serrano, que apontou a necessidade de uma investigação. “É preciso investigar fundamentalmente, porque não é qualquer pessoa privada. É um líder político que tem forte influência no Congresso. E porque também não é muito comum ter um financiamento de mais de R$ 130 milhões”, afirmou Serrano, que ainda não há como afirmar se há problema jurídico ou não.
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