‘A pergunta é se o bolsonarismo terá força para continuar seu lobby nos EUA’, questiona analista

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O escândalo envolvendo o pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, revelado pelo site Intercept Brasil, pode representar um enfraquecimento do elo entre a extrema direita dos Estados Unidos e o bolsonarismo. Embora essa correlação de forças possa ter se alterado, ainda assim, não é possível afirmar que Donald Trump não irá influenciar o processo eleitoral no Brasil.

A avaliação é da analista internacional Amanda Harumy, em entrevista ao Conexão BdFsim Rádio Brasil de Fato. Para ela, o extremo da proximidade de relação entre bolsonaristas e Trump se deu no ano passado, no momento em que o ainda deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) passou a conspirar nos Estados Unidos, com o auxílio do chefe de Estado Marco Rubio, para que tarifas fossem impostas ao Brasil caso o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) fosse condenado e preso.

“Havia naquela ocasião um claro alinhamento a partir da interlocução de Eduardo Bolsonaro com Marco Rubio. Hoje a gente vive um momento de muitas dúvidas sobre o interesse de os EUA intervirem nas nossas eleições, seja de maneira econômica, política ou comunicacional, lembrando das forças das grandes tecnologias. Uma das estratégias de Lula, considerando sua personalidade política, é mostrar que ele tem capacidade de governar o Brasil e dialogar com diferentes forças políticas, que é o que ele foi fazer quando se reuniu com Trump. Podemos dizer que temos uma reunião positiva na semana passada com os EUA e que as relações internacionais são, sim, importantes para nossas disputas internas”, afirma Harumy.

Por outro lado, a analista também destaca a necessidade de cautela com o movimento de governos da extrema direita mundial e seu desejo de influência na América Latina, comentando, inclusive, o episódio recente que mostrou uma ação coordenada de EUA e Israel para libertar o ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández.

“Com certeza eles possuem um clube de amigos e isso ficou claro agora com o Hondurasgateque mostra o Netanyahu, Trump, todos eles dialogando sobre o indulto do ex-presidente de Honduras com o objetivo de reorganizar os líderes na America Latina para frear as lideranças progressistas, como Petro, Sheinbaum, e escalando, agora para Lula. Eles possuem um interesse comum que é dominar a América Latina e decidir o futuro das nossas riquezas a partir dos interesses desse grupo político e da elite internacional que é a extrema direita. Esses líderes, de Netanyahu a Milei, eles dialogam muito e fazem planos inclusive de libertação de um ex-narcotraficante”, pontua.

A analista internacional destaca que o escândalo do Banco Master é de extrema gravidade, o que leva a refletir se o bolsonarismo terá força, diante desses fatos, de manter o lobby nos EUA, considerando, segundo Harumy, que o principal sustentáculo da relação não é Trump, mas, sim, Marco Rubio.

“O ideal é avaliar se essa força internacional de alinhamento com o Trump continua sólida. Lembrando que eles fazem parte da mesma elite, uma elite financeira. Nos áudios, eles falam muito sobre Dubai. Eles (Trump, Flávio e Vorcaro) são uma elite financeira, eles têm interesses definidos sobre o Brasil, sobre a eleição, mas o Trump não gosta de derrotados. Lembrado que ele não fez a passagem de governo para Maria Corina na Venezuela porque ele diz que ela não tem capacidade politica”, argumenta.

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