O escritor Milton Hatoum lança novo livro, escrito em parceria com Benedito Nunes, “Crônica de duas cidades: Belém e Manaus” (Companhia das Letras).
A publicação traz ensaios dos dois autores de suas cidades da infância. Durante entrevista ao programa Conversa Bem Viver da Rádio Brasil de Fato, Hatoum relata que a Manaus que ele vivenciou já não existe mais. “Hoje é uma cidade industrial enorme. Com muita falta de infraestrutura nas periferias, com muita violência, uma cidade complicada. Infelizmente, esse foi o destino dessa industrialização, porque o progresso e a decadência são faces da mesma coisa. São duas coisas que convivem. Não é porque há progresso que não há decadência; ao contrário, às vezes, em países como o Brasil, o progresso pode custar muito caro para uma parte da população.”
Hatoum se graduou como arquiteto pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (FAU-USP). Durante sua formação, contou com a orientação do pensador e geógrafo Milton Santos. Ele descreve como foi o período de convivência com seu xará.” Nesse tempo, eu conheci coisas sobre minha cidade que eu desconhecia. A gente pensa em Manaus, da época da borracha, só por meio dos monumentos, do Teatro Amazonas, do Palácio da Justiça, da infraestrutura que foi construída pelos ingleses. E a Manaus, naquela época, tinha uma periferia indígena, cabocla indígena que era muito pobre, muito miserável. E ele fez um estudo desse contraste, entre essa elite que frequentava esses monumentos e essa Manaus periférica”.
O escritor falou também de como o período de estudo com o geógrafo influenciou a forma como ele escreve. Para ele, o espaço cênico dentro da literatura, que historicamente era apenas uma descrição, passa a ter elementos de impacto sobre a alma das personagens.
Conhecidos por obras como “Dois Irmãos”, “Relato de um Certo Oriente”, “Cinzas do Norte” e “Órfãos do Eldorado”, Milton, no último mês de abril, tomou posse como imortal da Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira de número 6, sucedendo o jornalista Cícero Sandroni.
Leia a entrevista completa:
Brasil de Fato: Foi lançado recentemente, em parceria com Benedito Nunes, o livro “Crônica de duas cidades: Belém e Manaus”. Conta mais sobre essa obra.
Milton Hatoum: “Crônica de duas cidades: Belém e Manaus” é de 2006, foi publicado pela Secretaria de Cultura do Pará e reeditado, agora, 20 anos depois, pela Companhia das Letras. Ele é um ensaio histórico e afetivo; não pretende ser um ensaio muito abrangente das histórias de Manaus e Belém, mas é uma visão muito pessoal. Tem um pouco da minha amargura em relação à minha cidade, que foi belíssima durante minha infância e primeira juventude, mas que depois Manaus, a partir da Zona Franca, passou por uma transformação brusca, sobretudo a partir dos anos 80.
Hoje é uma cidade industrial enorme, com mais de 2 milhões de habitantes, com muitos problemas. Ela não foi planejada para receber esse parque industrial e essa migração interna, que foi enorme. Proporcionalmente, eu acho que foi a maior do Brasil. Em duas décadas, Manaus passou de 300 mil habitantes a 1 milhão e meio e agora tem mais de 2 milhões. Com muita falta de infraestrutura nas periferias, com muita violência, uma cidade complicada. Infelizmente, esse foi o destino dessa industrialização, porque o progresso e a decadência são faces da mesma coisa. São duas coisas que convivem. Não é porque há progresso que não há decadência; ao contrário, às vezes, em países como o Brasil, o progresso pode custar muito caro para uma parte da população.
Tem um importantíssimo intelectual da nossa geração, chamado Ailton Krenak, que recentemente, em entrevista aqui ao Brasil de Fato, falou algo muito semelhante. Ele falou: “Hoje em dia eu contesto qualquer ideia de desenvolvimento”. Quando a gente fala de progresso, ele é para quem? Para quem? Para que elites? E Manaus e Belém são retratos muito tristes disso, de como esse desenvolvimento foi atropelando não só as pessoas como a natureza. Em Manaus e Belém as coisas ficam ainda mais ressaltadas porque ficam no coração da Amazônia, que é esse lugar da exuberância, inclusive muito bem citado no livro.
Fora essa questão mais prática, existe essa questão da memória que o senhor estava trazendo, e que serve de reflexão. Se perdeu muito dessa Manaus que o senhor viveu, e poucas pessoas vão ter essa lembrança.
Exato. Eu falo disso e escrevo sobre isso na apresentação do livro. Que expressa exatamente o que você acabou de dizer em relação a Manaus e Belém. Então, eu falo assim: ‘No século passado, até os anos 1960, Belém e Manaus eram mais organizadas e humanizadas, muito menos violentas e degradadas. Os dois ensaios deste livro aludem àquele passado em contraponto crítico ao tal desastre do tecido social, urbano, arquitetônico e seu entorno.
Progresso e decadência são duas faces de um mesmo projeto desenvolvimentista que acaba por contemplar apenas uma minoria. É espantoso que as duas metrópoles situadas na maior floresta equatorial do planeta não mantêm um vínculo forte e profundo com a natureza.
O caso de Manaus, uma cidade que já durante o ciclo da borracha crescia a gandaia, como assinalou Euclides da Cunha em 1905, é muito mais grave que o de Belém, cujos bosques, parques, praças e arborização de calçadas foram preservados. Lamento a negligência deliberada do poder público pela cidade da minha infância. Um pequeno paraíso perdido para sempre. Algo desse desencanto que certamente muitos brasileiros sentem em relação às suas cidades percorre algumas páginas desta crônica Manauara’.
Pensando que, ano passado, essa região sediou a COP30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), mas que foi, na verdade, pintar de verde o problema, o que não se concretiza a solução. A gente fala tanto desse progresso com sustentabilidade, mas a verdade é que estamos muito longe disso, distantes de garantir que a população possa, de fato, viver a Amazônia dentro desse imaginário bonito da memória e da natureza.
Porque o poder público e, de certa forma, as elites não pensam a cidade de uma forma democrática e inclusiva.
Olha como surgiram as periferias pobres no Brasil. Por que isso se deu? Como se deu esse processo? Isso é um processo de exclusão dos brasileiros pobres, sejam migrantes internos, sejam migrantes de outras regiões. O planejamento não prevê e não contempla essas populações migrantes.
E aí surgem aberrações como no caso de Florianópolis, em que o prefeito expulsa pessoas. Aonde chegamos? Ele expulsa pessoas imigrantes que vão trabalhar, que vão em busca de uma vida melhor no seu próprio país, porque não se trata de uma imigração do estrangeiro, de outros países, nem de refugiados; são brasileiros que são banidos da sua própria pátria. É uma atitude muito autoritária, muito próxima do fascismo, tirar mendigos da rua, expulsar migrantes que vêm de outros estados para tentar a vida em outro lugar. São Paulo também tem esse problema, o Rio de Janeiro tem, todas as cidades brasileiras têm esse problema. No caso de Manaus e Belém, há um contraste muito claro, porque Manaus, com a Zona Franca, não se preparou para isso.
Morei em Manaus quando eu voltei da Europa; morei 15 anos em Manaus. E eu vi essa transformação abrupta, e isso está nos meus romances; em “Dois Irmãos”, Manaus é uma personagem. Eu tentei fazer da cidade uma personagem. O Halim, pai dos gêmeos, é um imigrante libanês, mas ele já está adaptado; ele ama a cidade e vê os espaços históricos, bairros, a cidade flutuante serem destruídos. E essa destruição produz um efeito melancólico na alma da personagem.
Eu falo que essa cidade da infância foi um paraíso perdido porque já não existe mais. Não que eu sinta a nostalgia daquela Manaus, mas aqui, se as cidades europeias foram destruídas pela guerra e Beirute, por exemplo, as lindas cidades do sul do Líbano estão sendo destruídas por ataques de um estado ocupante, nossas cidades são destruídas pela especulação imobiliária, pela ganância, por uma falta de planejamento racional, justo e democrático.
Mesmo projetos de habitação popular, e aqui eu estou sendo o arquiteto que eu não fui, mas trabalhei um pouco como arquiteto. Nos anos 70, durante a faculdade de arquitetura da USP, a gente criticava aqueles projetos do BNH (Banco Nacional da Habitação), que eram projetos horríveis, com janelas muito pequenas, sem circulação de ar, sem iluminação. E hoje, a gente vê que muitos projetos do Minha Casa e Minha Vida têm que ser reformulados.
Eles não podem ser implantados longe do tecido urbano, longe dos serviços urbanos. E não podem ser projetos de casas muito pequenas, com janelas pequenas. O próprio presidente Lula reclamou disso e inaugurou novas unidades que são melhores. Eu vi esses projetos, que são bem melhores que os anteriores. Mas é sempre uma questão. Por que os pobres não têm direito a um conforto mínimo? Por quê?
E Milton, você estudou urbanismo e arquitetura e foi orientado pelo maior mestre nesse quesito de debates da geografia, da humanidade, que foi seu Milton Santos. E acabamos de passar pelo centenário dele no começo do mês, e eu queria que você trouxesse um relato da tua experiência de vida com ele. Eu não sei exatamente quanto tempo vocês conviveram.
Mais de um ano, porque eu tive muita sorte. Eu vi que o professor Milton Santos estava na aula; ele não ficou muito tempo na FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo) dando aula.
E eu queria fazer um trabalho interdisciplinar, então ele aceitou ser meu orientador e foi. Nesse tempo, eu conheci coisas sobre minha cidade, coisas que eu desconhecia. A gente pensa em Manaus, da época da borracha, só por meio dos monumentos, do Teatro Amazonas, do Palácio da Justiça, da Alfândega, do Porto, da infraestrutura que foi construída pelos ingleses, dos grandes monumentos neoclássicos e da Art Nouveau, vamos dizer assim. E a Manaus, naquela época, tinha uma periferia indígena, cabocla indígena que era muito pobre, muito miserável. E ele fez um estudo desse contraste entre essa elite que frequentava esses monumentos e essa Manaus periférica, e não mudou substancialmente até agora. Com certeza muitos habitantes, moradores da periferia de Manaus, não conhecem o Teatro Amazonas, nunca entraram no Teatro Amazonas. Criaram-se espaços segregados nas cidades brasileiras.
Milton Santos foi muito importante; ele é um pensador do espaço geográfico, porque a geografia é uma disciplina muito dinâmica, muito relacionada com todas as outras disciplinas, com a história, com a economia, com a sociologia, com o movimento das pessoas, com a globalização, tema que ele estuda, fez um estudo sobre isso, tem um livro, inclusive.
A gente sempre se arrepende por não ter convivido mais tempo, mas ele tinha outros orientandos e compromissos. Enfim, mas o que eu pude conversar com ele foi muito importante.
Ele já era o grande Milton Santos, né? Por que ele foi o seu orientador?
Ele já era um grande geógrafo, já tinha sido professor em universidades europeias e africanas. E depois ele ainda publicou vários livros. Faleceu relativamente jovem. Eu conheci o filho dele ainda pequeno, a esposa dele. Ele era muito generoso, muito gentil e era muito bem-humorado. Ele contava umas coisas engraçadas, era um baiano arretado. Uma figura maravilhosa.
Não era amargo, não tinha rancor, embora tenha sido perseguido; a ditadura perseguiu todas essas grandes figuras, estudiosos, mas ele não era uma pessoa rancorosa, e eu aprendi também isso com ele.
Você diria que essa convivência foi uma influência na escrita dos teus livros, das tuas publicações?
Bastante, eu acho que a questão do espaço na literatura é importante também. Em um certo momento da história do romance, em muitos livros e ficções, o espaço era apenas uma descrição.
Ele não tinha uma relação orgânica com os conflitos das personagens, e, a partir de um certo momento, final do século 19 e, sobretudo, a partir do modernismo, do começo das primeiras décadas do século passado, o espaço já não é mais uma descrição; ele faz parte do sentimento das personagens.
Há grandes exemplos da nossa literatura sobre isso. Eu falei de “Vidas Secas”, do Graciliano Ramos, no discurso de posse. E ali a aridez, o espaço do sertão, com suas características e especificidades, está totalmente vinculado à vida das personagens. O mesmo acontece com aquele livrinho lindo da Raquel de Queiroz, o “Quinze”, da história daquela professora, que passa o tempo todo lendo; o espaço em torno se reflete na alma dela, na vida dela.
E isso acontece com livros da Clarice (Lispector), o “Grande Sertão Veredas” é uma lição sobre isso. O espaço é tão bem documentado, tão bem registrado, com todos os seus detalhes; ele está intimamente vinculado aos jagunços, aos personagens, ao narrador. Até mesmo a fauna, a flora, os pássaros, tudo isso tem a ver com o que está acontecendo no romance. O espaço não está desligado do tempo e do tempo interior da personagem, das aflições, do sentimento amoroso da personagem.
A subjetividade, a partir de um certo momento, foi muito explorada a partir do realismo e depois na literatura contemporânea. A gente encontra isso, por exemplo, no “Esaú e Jacó”, do Machado de Assis. A mãe dos gêmeos sai do lugar da elite, de onde ela mora sobre o morro, para falar com uma adivinha para ver qual será o destino desses gêmeos. É no lugar da pobreza que se diz sobre o destino dos filhos. Machado, há 120 anos, estava falando sobre essas coisas.
Conversa Bem Viver

Em diferentes horários, de segunda a sexta-feira, o programa é transmitido na Rádio Super de Sorocaba (SP); Rádio Palermo (SP); Rádio Cantareira (SP); Rádio Interativa, de Senador Alexandre Costa (MA); Rádio Comunitária Malhada do Jatobá, de São João do Piauí (PI); Rádio Terra Livre (MST), de Abelardo Luz (SC); Rádio Timbira, de São Luís (MA); Rádio Terra Livre de Hulha Negra (RN), Rádio Camponesa, em Itapeva (SP), Rádio Onda FM, de Novo Cruzeiro (MG), Rádio Pife, de Brasília (DF), Rádio Cidade, de João Pessoa (PB), Rádio Palermo (SP), Rádio Torres Cidade (RS); Rádio Cantareira (SP); Rádio Keraz; Web Rádio Studio F; Rádio Seguros MA; Rádio Iguaçu FM; Rádio Unidade Digital ; Rádio Cidade Classic HIts; Playlisten; Rádio Cidade; Web Rádio Apocalipse; Rádio; Alternativa Sul FM; Alberto dos Anjos; Rádio Voz da Cidade; Rádio Nativa FM; Rádio News 77; Web Rádio Líder Baixio; Rádio Super Nova; Rádio Ribeirinha Libertadora; Uruguaiana FM; Serra Azul FM; Folha 390; Rádio Chapada FM; Rbn; Web Rádio Mombassom; Fogão 24 Horas; Web Rádio Brisa; Rádio Palermo; Rádio Web Estação Mirim; Rádio Líder; Nova Geração; Ana Terra FM; Rádio Metropolitana de Piracicaba; Rádio Alternativa FM; Rádio Web Torres Cidade; Objetiva Cast; DMnews Web Rádio; Criativa Web Rádio; Rádio Notícias; Topmix Digital MS; Rádio Oriental Sul; Mogiana Web; Rádio Atalaia FM Rio; Rádio Vila Mix; Web Rádio Palmeira; Web Rádio Travessia; Rádio Millennium; Rádio EsportesNet; Rádio Altura FM; Web Rádio Cidade; Rádio Viva a Vida; Rádio Regional Vale FM; Rádio Gerasom; Coruja Web; Vale do Tempo; Servo do Rei; Rádio Best Sound; Rádio Lagoa Azul; Rádio Show Livre; Web Rádio Sintonizando os Corações; Rádio Campos Belos; Rádio Mundial; Clic Rádio Porto Alegre; Web Rádio Rosana; Rádio Cidade Light; União FM; Rádio Araras FM; Rádios Educadora e Transamérica; Rádio Jerônimo; Web Rádio Imaculado Coração; Rede Líder Web; Rádio Club; Rede dos Trabalhadores; Angelu’Song; Web Rádio Nacional; Rádio SINTSEPANSA; Luz News; Montanha Rádio; Rede Vida Brasil; Rádio Broto FM; Rádio Campestre; Rádio Profética Gospel; Chip i7 FM; Rádio Breganejo; Rádio Web Live; Ldnews; Rádio Clube Campos Novos; Rádio Terra Viva; Rádio interativa; Cristofm.net; Rádio Master Net; Rádio Barreto Web; Radio RockChat; Rádio Happiness; Mex FM; Voadeira Rádio Web; Lully FM; Web Rádionin; Rádio Interação; Web Rádio Engeforest; Web Rádio Pentecoste; Web Rádio Liverock; Web Rádio Fatos; Rádio Augusto Barbosa Online; Super FM; Rádio Interação Arcoverde; Rádio; Independência Recife; Rádio Cidadania FM; Web Rádio 102; Web Rádio Fonte da Vida; Rádio Web Studio P; São José Web Rádio – Prados (MG); Webrádio Cultura de Santa Maria; Web Rádio Universo Livre; Rádio Villa; Rádio Farol FM; Viva FM; Rádio Interativa de Jequitinhonha; Estilo – WebRádio; Rede Nova Sat FM; Rádio Comunitária Impacto 87,9FM; Web Rádio DNA Brasil; Nova onda FM; Cabn; Leal FM; Rádio Itapetininga; Rádio Vidas; Primeflashits; Rádio Deus Vivo; Rádio Cuieiras FM; Rádio Comunitária Tupancy; Sete News; Moreno Rádio Web; Rádio Web Esperança; Vila Boa FM; Novataweb; Rural FM Web; Bela Vista Web; Rádio Senzala; Rádio Pagu; Rádio Santidade; M’ysa; Criativa FM de Capitólio; Rádio Nordeste da Bahia; Rádio Central; Rádio VHV; Cultura1 Web Rádio; Rádio da Rua; Web Music; Piedade FM; Rádio 94 FM Itararé; Rádio Luna Rio; Mar Azul FM; Rádio Web Piauí; Savic; Web Rádio Link; EG Link; Web Rádio Brasil Sertaneja; Web Rádio Sindviarios/CUT.
O programa de rádio Conversa Bem Viver vai ao ar de segunda a sexta-feira, às 8h, na Rádio Brasil de Fato. A sintonia é 98,9 FM na Grande São Paulo. A versão em vídeo é semanal e vai ao ar aos sábados a partir das 13h30 no YouTube do Brasil de Fato e TVs retransmissoras.
Assim como os demais conteúdos, o Brasil de Fato disponibiliza o programa Bem Viver de forma gratuita para rádios comunitárias, rádios-poste e outras emissoras que manifestarem interesse em veicular o conteúdo. Para ser incluído na nossa lista de distribuição, entre em contato por meio do formulário.

