Autoridades governamentais e parlamentares de Israel lideraram nesta quinta-feira (14) incursões em massa pelas áreas palestinas da Cidade Velha em Jerusalém Oriental e invadiram o complexo da Mesquita de Al-Aqsa, antes da chamada “Marcha das Bandeiras”, uma tradicional manifestação nacionalista ligada à extrema direita que celebra a ocupação israelense da cidade em 1967.
Vídeos que circulam em redes sociais mostram o ministro da Segurança Interna, Itamar Ben-Gvir, hasteando a bandeira israelense e dançando com um grupo de ocupantes. Outra imagem também registra a presença do membro do Parlamento do Knesset, Yitzhak Kroizer, da sigla de extrema direita Otzma Yehudit de Ben-Gvir. Também esteve no local Ariel Kallner, deputado do partido Likud do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
“Restauramos a governança no Monte do Templo graças à determinação e dissuasão”, disse Ben-Gvir, acrescentando que “o Monte do Templo está em nossas mãos”. Posteriormente, Kroizer escreveu em sua conta nas redes sociais que “chegou a hora de nos livrarmos de todas as mesquitas e construir o Templo!”
As operações ocorreram enquanto as forças israelenses bloqueavam o acesso de fiéis palestinos à mesquita. De acordo com o portal Middle East Eye, a área sagrada do Islã foi colocada “sob quase total confinamento para acomodar as marchas e incursões, com lojas de propriedade palestina forçadas a fechar e moradores obrigados a ficar em casa”.
À agência Anadolu, um funcionário do Departamento Islâmico Waqf em Jerusalém informou que 620 ocupantes israelenses invadiram a mesquita sob proteção policial.
O portal Middle East Eye relatou que, desde as orações do amanhecer, as autoridades do regime sionista impuseram “medidas rigorosas nos portões da Mesquita de Al-Aqsa”, enquanto as forças israelenses revistavam fiéis que tentavam chegar no local, confiscavam carteiras de identidade e proibiam a entrada de homens com menos de 60 anos e mulheres com menos de 50 anos.
Ainda de acordo com o veículo, fiéis foram “espancados” e “empurrados” por várias áreas da mesquita. Logo depois, grupos de israelenses invadiram o local sagrado sob proteção policial.
A Mesquita de Al-Aqsa é o terceiro local mais sagrado do mundo para os muçulmanos e está situada em um planalto que os israelenses chamam de Monte do Templo, alegando ter sido o local de dois templos judaicos em tempos antigos.
De acordo com Middle East Eye, um status reconhecido internacionalmente designa Al-Aqsa como um local de culto exclusivamente muçulmano sob gestão do Waqf Islâmico, que tem autoridade sobre acesso, oração e manutenção. De acordo com o Ministério Palestino de Awqaf e Assuntos Religiosos, apenas em abril, ocupantes israelenses invadiram o local religioso ao menos 30 vezes.

