Flávio Bolsonaro contradiz aliados e reafirma que pediu dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar filme

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O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reafirmou nesta quinta-feira (14) que pediu dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A postura contradiz aliados que, desde a quarta-feira (13), vêm construindo a versão de que não há qualquer recurso relacionado a Vorcaro ou ao Banco Master na produção do filme.

Segundo o senador, o motivo para nunca ter mencionado a parceria, inclusive tendo várias vezes negado qualquer relação com Daniel Vorcaro, seria ligado a causas de confidencialidade do contrato entre a produtora do filme e os financiadores.

“Eu não falei que era mentira. Tenho contrato de confidencialidade. Estou falando disso agora porque veio à tona, não tem mais como negar. Se eu falo assim, ‘eu conheço o Vorcaro’, a pergunta seguinte qual ia ser? ‘Qual a sua relação com ele?’ Eu ia ter que falar do filme. Foi só por isso que eu me eximi”, alegou, em entrevista à Globonews.

O pré-candidato à presidência não explicou os termos dos contratos, nem quem seriam os demais financiadores do filme. Afirmou que os investidores não querem aparecer porque o pai dele é visado e eles temem represálias.

Flávio Bolsonaro também disse que, quando vieram à tona as denúncias e investigações contra Daniel Vorcaro e o Banco Master, o fundo ao qual o dinheiro foi transferido foi congelado e o banco questionado. Porém, não apresentou qualquer comprovação dessas informações.

EduardoBolsonaro

A Polícia Federal apura se o dinheiro que Flávio Bolsonaro pediu a Daniel Vorcaro foi realmente usado no filme ou se foi destinado a despesas do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro, que atualmente vive no Texas, mesma cidade em que está sedidado o fundo que recebeu o recurso.

“Não foi para o Eduardo Bolsonaro. Todos os recursos que foram aportados nesse fundo, que é específico para a produção do filme, foram usados integralmente para fazer o filme”, afirmou Flávio, defendendo o irmão.

Ele alegou ainda que a contratação de um fundo administrado pelo advogado de Eduardo Bolsonaro foi uma questão de segurança.

“Para colocar de pé uma estrutura dessa, criar um fundo, cuidar das questões legais, de burocracia, você tem que contratar um advogado, um advogado de confiança do Eduardo Bolsonaro, alguém que cuidou de todo o seu processo de green card. Está dentro do contexto do filme. O advogado é gestor do fundo também”, disse o senador.

Contradições

Diferente das afirmações de Flávio Bolsonaro, a equipe de produção do filme diz que não há recursos ligados ao banqueiro no longa.

O deputado federal e ex-secretário Nacional de Cultura Mário Frias, produtor-executivo do filme, afirmou que não houve financiamento do Banco Master ou de Vorcaro ao filme e que Flávio Bolsonaro “não tem qualquer sociedade no filme ou na produtora”, tendo apenas cedido os direitos de imagem da família Bolsonaro.

Em nota, a GOUP Entertainment, produtora do filme, declarou que não existe “um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer empresa sob o seu controle societário” entre os investidores do projeto.

Entenda o caso

Reportagem publicada pelo Intercept Brasil revelou mensagens e documentos que apontam uma negociação para o repasse de US$ 24 milhões, cerca de R$ 132 milhões à época, destinados ao financiamento de “Dark Horse”. Segundo o site, pelo menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, foram pagos entre fevereiro e maio de 2025.

As conversas mostram cobranças de Flávio Bolsonaro a Vorcaro sobre atrasos nos repasses. Em uma das mensagens, enviada em novembro de 2025, o senador escreveu ao banqueiro: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.

O publicitário Thiago Miranda confirmou à coluna de Malu Gaspar, no O Globoque intermediou a entrada de Vorcaro no projeto após ser procurado pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP). Segundo ele, o dono do Banco Master era o único investidor do filme até a crise da instituição financeira.

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