Disputa no Maranhão racha frente ampla e desenha ‘duelo de titãs’, aponta cientista política

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A corrida eleitoral pelo governo do Maranhão em 2026 promete ser uma das mais acirradas e imprevisíveis das últimas décadas. O cenário de indefinição, incomum para este período que antecede as convenções partidárias, é reflexo direto do racha na frente ampla que governava o estado desde 2014, sob a liderança do hoje ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino.

A avaliação é da doutora em Ciências Políticas e professora titular aposentada da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Arleth Santos Borges, em entrevista ao programa É de Manhãsim Rádio Brasil de Fato. Segundo a professora, o estado vive um clima de “beligerância” jurídica e política que expõe a disputa pesada entre forças de grande poder econômico e de máquina governamental.

“Essa incerteza redobrada ou escalada na eleição local tem a ver com o fato de que há forças muito poderosas na cena política”, explicou Arleth. O estopim da crise foi o rompimento do acordo entre o atual governador, Carlos Brandão (MDB), e seu vice, Felipe Camarão (PT). Conforme o arranjo inicial, Brandão, que assumiu o cargo após a saída de Dino, deveria renunciar para que Camarão assumisse e disputasse a reeleição com o apoio do grupo, o que acabou não ocorrendo.

O peso do ‘Dinismo’

De acordo com os dados mais recentes do Instituto Quaest, a liderança das intenções de voto está concentrada entre o ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), e o próprio grupo de Carlos Brandão. Braide, que se afastou da prefeitura da capital para concorrer ao Palácio dos Leões, tem demonstrado uma liderança consistente, impulsionada por sua forte presença nas redes sociais.

Apesar do racha, a herança política do ex-governador Flávio Dino continua sendo o principal ativo em disputa no estado. Tanto a ala de Felipe Camarão quanto os demais dissidentes reivindicam para si o chamado “legado dinista”, associado a programas populares bem avaliados, como as Escolas Dignas e os hospitais regionais.

Por outro lado, o termo também é manejado pela oposição como uma crítica a uma suposta interferência do ministro na política local. “É uma construção simbólica e política. O Flávio Dino representou uma ruptura em relação ao domínio da família Sarney“, apontou Arleth, lembrando que a atuação firme durante a pandemia de Covid-19 é um dos motivos que mantém o grupo de esquerda competitivo.

Se a disputa pelo governo estadual está fragmentada, a corrida pelas duas vagas do Maranhão no Senado Federal desenha um embate de proporções nacionais. A grande surpresa do xadrez político foi a decisão do governador Carlos Brandão de não se desincompatibilizar do cargo, o que o retirou da lista de favoritos à vaga como senador.

Sem Brandão na disputa, o campo de alianças ligado ao presidente Lula (PT) se pulverizou com candidaturas de peso. Estão confirmados no páreo o ex-ministro dos Esportes, André Fufuka (PP), e a senadora Eliziane Gama (PT) — que ganhou projeção nacional ao conduzir investigações de impacto no Congresso. O senador Weverton Rocha (PDT) também busca a reeleição.

No campo da direita, desponta a pré-candidatura do ex-senador Roberto Rocha, enquanto a tradicional oligarquia local tenta se reagrupar em torno da ex-governadora Roseana Sarney (MDB), cuja participação ainda depende de liberação de sua equipe médica após o tratamento de um câncer de mama.

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