Ato em Caracas encerra trabalhos da brigada de solidariedade à Venezuela do MST

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A Brigada de Solidariedade Hugo Chávez, organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), realizou nesta terça-feira (19), em Caracas (Venezuela), um ato de encerramento dos trabalhos, após dois meses de vivências nas comunas venezuelanas.

Os 43 internacionalistas, acompanhados de militantes comuneiros, prestaram homenagem, no Cemitério Sul da capital, aos mortos pelo ataque militar estadunidense ao país em 3 de janeiro. Em seguida, seguiram para um ato público na praça Bolívar.

Durante o ato, os manifestantes leram uma carta pública em defesa da Revolução Bolivariana. “A Venezuela, ao longo das últimas décadas, vem sofrendo uma série de medidas para desestabilizar o povo, por meio de conspirações, sanções unilaterais, bloqueios criminosos, financiamento para guarimbas, agressões e violência direta. Sendo o 3 de janeiro a expressão mais brutal dessa escalada imperialista, em que o país foi alvo do poderio militar e tecnológico do império estadunidense, vítima de uma super operação que sequestrou o Presidente Constitucional eleito e a Primeira Combatente e Deputada”, diz o documento.

“Além disso, foram assassinadas mais de 100 pessoas, entre civis e militares, incluindo 32 cubanos da guarda de honra do presidente. O ataque não se dirige somente ao governo bolivariano, mas sim ao povo, que governa o país com sua determinação e coragem”, segue a carta.

O texto destaca ainda a convivência com comunas socialistas venezuelanas. “Conhecemos um povo aguerrido e politizado, que sabe sua história e quem são seus inimigos. Aprendemos com a cultura; o trabalho coletivo em projetos produtivos; além da organização popular que está construindo caminhos para a autossustentação e a soberania nacional”, diz a carta. A Brigada também afirma ter compreendido como o bloqueio econômico e as sanções internacionais afetam o cotidiano da população e limitam o desenvolvimento do país.

A deputada nacional e presidenta do Instituto Nacional Simón Bolívar, Blanca Eekhout, agradeceu ao MST pela iniciativa.

“Agradecemos muitíssimo ao MST que, além disso, assumiu essa tarefa em meio a enormes dificuldades com o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da nossa deputada Cilia Flores, em meio ao assédio imperialista. Os irmãos e irmãs que chegam do mundo podem ser testemunhas de que este povo segue em luta, de que na comuna se constrói uma sociedade de iguais e que o caminho do socialismo bolivariano nada nem ninguém deterá”, disse a parlamentar ao Brasil de Fato.

Rosana Fernandes, coordenadora da Brigada Apolônio de Carvalho, que mantém presença na Venezuela há mais de 20 anos, disse que a experiência, ainda que pontual, gera um importante saldo político para o trabalho que o MST realiza no país caribenho.

“A Brigada Internacionalista Apolônio Carvalho, que é permanente e está presente aqui há 20 anos, abriu muitas portas e janelas de potenciais para que a brigada possa atuar nos territórios permanentemente, especialmente nas área de produção, formação política e comunicação popular”, disse. “Vamos seguir construindo, junto com esse povo, todo esse resultado desse momento que essa brigada pôde oportunizar também para a nossa organização e para as nossas tarefas como militantes.”

A dirigente do MST e coordenadora da brigada, Jailma Lopes, considera que a experiência deve se repetir, por representar um importante instrumento de formação do internacionalismo revolucionário.

“O sentimento é de entusiasmo e vigor. O balanço é de que essa experiência fortalece nossa formação como militantes internacionalistas e revolucionários, comprometidos com a proteção da revolução na Venezuela e com a promoção do socialismo como única saída para a verdadeira libertação dos nossos povos”, disse a dirigente.

O grupo começa a retornar ao Brasil nesta quarta-feira (19).

A Brigada de Solidariedade Hugo Chávez permaneceu dois meses no país | Leonardo Fernandes/Brasil de Fato

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