‘Pandemia preparou sistema de saúde do Brasil para lidar com surtos de doenças’, afirma infectologista

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Os casos de ebola que deixaram, até o momento, 139 mortos no continente africano, e o hantavírus que apareceu em um cruzeiro saído da Argentina e que já vitimou fatalmente três passageiros são notícias que acabam deixando a população alarmada, especialmente depois que o mundo viveu a pandemia de covid-19.

Contudo, Alexandre Schwarzbold, infectologista, professor Associado da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), explica que essa nova cepa do ebola tem uma ação muito localizada no Congo e na Uganda, bem diferente do surto da década passada, que causou milhares de mortes.

Em entrevista ao Conexão BdFsim Rádio Brasil de FatoSchwarzbold afirma ser improvável que um surto de ebola atinja o Brasil. “Primeiro porque esse vírus não existe no Brasil, nunca houve caso registrado. Precisaria haver a presença de espécies que abrigam esses vírus, morcegos hospedeiros, e pessoas precisariam ter contato com aqueles morcegos. É verdade que vivemos em um mundo globalizado, de mudanças climáticas, com mudanças de vetores e hospedeiros. Mas a realidade da América do Sul é muito improvável para o vírus. A segunda questão é a transmissão do vírus, que não é respiratória. Porque a transmissão depende de contato muito próximo”, explica.

O infectologista afirma que também não há alta probabilidade de propagação do hantavírus no Brasil. “O hantavírus, diferentemente do ebola, circula muito mais fácil, e é verdade que ele tem prevalência na região sul do país. Ele circula muito no país em áreas com mais estiagem. Mas é um vírus que, embora de muita gravidade, não tem propagação inter-humana, com exceção de uma única cepa que é a que estava no cruzeiro. Foi o que aconteceu de especial nesse cruzeiro. Dois turistas foram para áreas rurais antes de entrar no cruzeiro e tiveram contato com fezes de animais infectados. De modo que é provável que esse seja um surto restrito”, diz.

Schwarzbold afirma que, após a pandemia de covid-19, a resposta do sistema de saúde brasileiro é melhor e mais rápida. “A estruturação e essa preocupação do sistema de saúde é muito maior e melhor do ponto de vista de que medidas devem ser tomadas para que uma doença não se dissemine para outros ambientes. Então eu diria que, sim, a gente tem uma capacidade muito boa de lidar com surtos de doenças.”

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