O analista internacional da CNN BrasilLourival Sant’Anna, avaliou que o presidente dos EUA, Donald Trump, saiu sem conquistas relevantes de sua cúpula com Xi Jinping, enquanto a Rússia conseguiu, ao menos em parte, estreitar seus laços com a China.
No encontro entre Xi Jinping e Vladimir Putin, realizado uma semana após a cúpula com Trump, China e Rússia assinaram mais de 40 acordos de cooperação. Já no encontro com os Estados Unidos, o resultado foi apenas uma sinalização de possível venda de produtos americanos à China.
O principal objetivo de Trump — obter apoio chinês para a reabertura do Estreito de Ormuz — não foi alcançado. Putin, por sua vez, também não conseguiu finalizar o acordo do gasoduto Power of Siberia 2, que ligaria Rússia e China, devido a divergências sobre o preço do gás.
Para Sant’Anna, Xi Jinping conduziu ambas as partidas de uma posição de clara superioridade. “O Xi Jinping estava lidando com dois países que estavam numa posição de nações tributárias, como na época do Império do Meio”, analisou.
O analista apontou que tanto os Estados Unidos quanto a Rússia estão fragilizados por conflitos mal sucedidos, o que reforça o protagonismo chinês no cenário geopolítico atual.
A análise ocorre em meio a impasses nas negociações entre Estados Unidos e Irã, que envolvem o programa nuclear iraniano e o controle do Estreito de Ormuz.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, negou na quinta-feira (21) rumores de um avanço diplomático com os Estados Unidos.
Segundo a agência de notícias oficial iraniana Irna, Baghaei declarou que “as alegações sobre questões nucleares — como urânio enriquecido ou níveis de enriquecimento — são mera especulação da mídia e não têm fundamento na realidade”.
Impasse nuclear e Estreito de Ormuz
As negociações entre Washington e Teerã enfrentam obstáculos em duas frentes principais: o enriquecimento de urânio e o controle do Estreito de Ormuz. Segundo Sant’Anna, o Irã demonstra disposição apenas para negociar o fim do conflito e a reabertura do estreito, sem abrir mão de seu programa nuclear.
“Antes de começar o conflito, os Estados Unidos estavam negociando a suspensão do programa nuclear e agora parece que a questão retrocedeu para um ponto anterior”, afirmou o analista.
O Irã defende o direito a um programa nuclear pacífico com supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica, conforme prevê o Tratado de Não Proliferação Nuclear, do qual é signatário.
Sant’Anna destacou ainda a entrada do Catar nas negociações como um elemento de novidade. O país, que historicamente mantinha boas relações com o Irã e intermediava conversas sobre a faixa de Gaza, afastou-se após ser bombardeado pelo Irã, mas agora retornou às tratativas.
“O Qatar pode ajudar bastante”, avaliou o analista, ressaltando que o Paquistão também segue atuando como mediador.
Troca de tecnologia e impossibilidade de sanções
A agência de notícias Reuters publicou reportagem revelando que as forças armadas da China teriam treinado secretamente cerca de 200 militares russos no país no final do ano passado.
Questionado sobre a possibilidade de sanções ocidentais contra Pequim, Sant’Anna foi categórico: “Zero, impossível, esquece, não vai ter sanção nenhuma contra a China.
O mundo está dependente da China.” Segundo ele, o abandono dos manufaturados chineses provocaria explosão inflacionária no Brasil, nos Estados Unidos e em toda a Europa.
O analista descreveu uma intensa troca entre os dois países: a China exporta para a Rússia componentes tecnológicos e chips de uso dual, civil e militar, enquanto recebe tecnologia militar russa de alto nível, especialmente no campo de mísseis hipersônicos e de submarinos nucleares. “Há uma troca muito fluida entre esses dois países”, concluiu Sant’Anna.

