Nativo da Amazônia, o cacau se espalhou pelas Américas há três milênios antes de passar a ser o protagonista de receitas de chocolate premiadas mundo afora.
Levado pelos colonizadores para a África, que hoje figura como maior produtora global, o fruto viveu seu auge no Brasil até a década de 1920, quando uma praga devastou as lavouras.
Atualmente, o país ocupa a sexta posição no ranking mundial de produtores de cacau, com 200 mil toneladas anuais. Mas o foco tem mudado e o estado do Pará tem assumido a dianteira dessa nova realidade do cacau brasileiro, com investimento no desenvolvimento de um produto fino e sustentável.
Os produtores locais passaram a beneficiar o fruto de origem amazônica e hoje são criadores de chocolates premiados no Brasil e no mundo.
Em entrevista ao Bem ViverCEO do Chocolat Festival, um dos maiores eventos do setor na América Latina, Marcos Lessa destaca que o ponto de virada foi justamente deixar de tratar o cacau como matéria-prima e assumir o desenvolvimento de produtos. “É preciso repensar que esse produtor e o cacau, por si, ele é o protagonista diante de uma cadeia em que o chocolate era protagonista, mas é o cacau que é. E não faz sentido o produtor de cacau, que faz todo o trabalho para colocar essa matéria-prima essencial para o chocolate, tem apenas 5%, 6%, 7% de um tablete de chocolate como ele é comercializado. E a primeira grande mudança é que nós não temos que manter o cacau como uma commodity a partir do momento em que eu tenho uma produção menor do que a demanda. E, segundo, porque nós estamos trabalhando muito forte a qualidade desse produto, a qualidade dessa amêndoa já exportando, e o consumidor já reconhece isso”, explica.
Na Ilha do Combu, que fica a 15 minutos de barco da capital paraense, Belém, famílias revitalizaram a região a partir da produção de cacau nativo e orgânico, na contramão dos grandes produtores, que privilegiam o uso de agrotóxicos.
Dona Nena, dona da chocolateria Filha do Combu, recebe centenas de visitantes todos os dias para provar o que ficou conhecido como o melhor brigadeiro do Brasil, cultivado a partir do manejo sustentável da floresta. “Esse cuidado, ele vem também, ele é hereditário, né, de trabalho com os pais, de fazer isso. Então, nós nunca tiramos a floresta só para plantar cacau. A gente tem que ter algumas árvores que a gente precise para entrar mais no cacau, porque a nossa produção é baixa em função disso. Então, o nosso cacau fica debaixo das árvores. Ele precisa de sombra, mas ele precisa de pelo menos 70% de luz. Então, muita da nossa produção não tem esse 70% de luminosidade por conta da floresta”, afirma.

A área onde Dona Nena planta seu cacau e comercializa o produto é fruto da reforma agrária. A terra foi contemplada com a titulação pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), entre os anos de 2006 e 2009. “É muito importante que o produtor tenha realmente posse do seu local de trabalho, do seu território onde ele desenvolve trabalho. Porque, com isso, ele pode ter esse acesso. Ele está com toda a documentação dele correta, ele pode chegar no banco, buscar assistência técnica para que ele possa melhorar a sua produção. E também não só na questão de melhoria da produção, é o beneficiamento dessa produção”, defende.
Em Castanhal, na região metropolitana de Belém, a produção de cacau tem se intensificado em associação com a produção de açaí, outro fruto nativo da região amazônica. O resultado é a produção de chocolates finos e saudáveis a partir da agroecologia, como acontece na fazenda Monte Carlo, que trocou áreas de pastagem por produções sustentáveis de cacau.
Proprietário da fazenda, Osni de Azevedo Ramos destaca a importância de aproveitar todos os insumos da terra. “A nossa produção hoje é um sistema agroflorestal, uma SAF integrada à pecuária. Então hoje nós temos plantio de cacau consorciado com açaí. Estamos em um projeto de implementação de baunilha de Madagascar, juntamente ao projeto, além de outras espécies florestais. A integração SAF pecuária se mostrou muito vantajosa, porque nós temos dentro da propriedade um confinamento bovino em que nós temos uma média de aproximadamente 1.100 toneladas de resíduo. E esse resíduo anteriormente era 100% descartado. E hoje nós transformamos esse resíduo em adubo, e mais de 70% da adubação do plantio hoje é feita através desse adubo orgânico”, explica.
E tem mais…
Nesta edição, o Bem Viver traz também o filme espanhol “Surda”, que chegou aos cinemas brasileiros debatendo empatia, capacitismo e o direito à maternidade.
No Comida de Verdade, a chef Gema Sotto traz uma receita cheia de afeto: um delicioso bolo de abacaxi.
Confira o último episódio da série sobre as Comunas, veja como as mulheres e a juventude lideram a organização comunitária e a soberania dos territórios.
Quando e onde assistir?
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Na TV Brasil (EBC), sexta-feira às 6h30.
Na TVE Bahia: sábado às 12h30, com reprise quinta-feira às 7h30, no canal 30 (7.1 no aparelho) do sinal digital.
Na TVCom Maceió: sábado às 10h30, com reprise domingo às 10h, no canal 12 da NET.
Na TV Floripa: sábado às 13h30, reprises ao longo da programação, no canal 12 da NET.
Na TVU Recife: sábados às 12h30, com reprise terça-feira às 21h, no canal 40 UHF digital.
Na UnBTV: sextas-feiras às 10h30 e 16h30, em Brasília no Canal 15 da NET.
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