O ex-prefeito recifense João Campos (PSB) se declarou favorável à redução da escala de trabalho 6×1, em que o trabalhador só tem direito a um dia de descanso semanal a cada seis trabalhados. Essa é a escala máxima permitida por lei. O posicionamento tem peso por ser ele o presidente nacional do PSB e o pré-candidato ao Governo de Pernambuco que lidera as pesquisas. Com a declaração pública, o eleitor pernambucano pode afirmar que todos os postulantes ao Palácio do Campo das Princesas são favoráveis à mudança na lei para garantir mais um dia de descanso para a classe trabalhadora do país.
Campos garantiu que os 17 deputados federais do PSB votarão favoráveis à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que reduz tanto a escala (6×1) quanto a jornada (44 horas) de trabalho semanais. “É um compromisso do nosso partido. A nossa bancada vai fechar questão para votar o fim da escala 6×1. Essa é a posição que tenho como cidadão e como presidente do partido. A nossa história é a de (Miguel) Arraes, Eduardo (Campos), de homens e mulheres que lutaram sempre a favor dos trabalhadores — e vamos continuar fazendo essa luta”, afirmou em entrevista.
“Vamos defender que o trabalhador e a trabalhadora tenham direito a ficar com sua família, com seus filhos, cuidar daquilo que lhe interessar, não viver trabalhando numa escala que sabemos que não é a melhor”, completou João Campos.
Assim como a governadora Raquel Lyra (PSD), sua adversária no pleito deste ano, o pré-candidato do PSB defende que a medida seja acompanhada de compensações para setores empresariais. Mas ele buscou se diferenciar pedindo “ajuda principalmente ao pequeno empreendedor, aos pequenos negócios, empresas de pequeno porte, microempreendedores, para que eles possam ser compensados”. Já a governadora de Pernambuco falou que “o setor produtivo está colocando a necessidade de reduzir o ‘custo Brasil’ para que possa haver contratação sem aumento nos preços dos produtos”.
No Congresso Nacional há propostas que vão desde a redução de impostos, passando por um período de transição que duraria anos até a proibição da escala 6×1 e também propostas de fragilização do sistema de proteção trabalhista. O Governo Federal não considera que sejam necessárias compensações.
A declaração de João Campos foi dada na última terça-feira (19), durante entrevista a uma rádio em Lajedo, no Agreste pernambucano. O pré-candidato do PSB foi pressionado a tomar posição após a governadora Raquel Lyra (PSD) se posicionar publicamente pela redução da jornada, pauta também defendida por Ivan Moraes Filho (Psol), também pré-candidato ao Governo de Pernambuco, cenário que fazia de Campos o único postulante a, até aquele momento, não se posicionar publicamente pelo fim da 6×1.
Apesar da pressão popular, já que 71% dos brasileiros quer a redução da escala e jornada de trabalho, cinco deputados federais pernambucanos assinaram uma emenda ao projeto visando adiar por pelo menos 10 anos a redução da escala e, pior, permitir jornadas de até 52 horas semanais. Augusto Coutinho (Republicanos), Clarissa Tércio (PP), Coronel Meira (PL), Pastor Eurico (PSDB) e Fernando Bezerra Coelho Filho (União Brasil) apoiam a medida.
Contradição
Diferente do que fez o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que declarou apoio à redução da escala e jornada de trabalho e, em seguida, reduziu as escalas e jornadas dos trabalhadores terceirizados de toda a administração pública federalnem a governadora de Pernambuco e nem o ex-prefeito do Recife adotaram iniciativas nesse sentido em relação aos trabalhadores da administração pública estadual ou municipal.
PEC do fim da escala 6×1
Está prevista para esta segunda-feira (25) a votação do parecer do deputado Léo Prates (Republicanos da Bahia) sobre a PEC do fim da 6×1. A aprovação do relatório é a última etapa antes de o projeto ir a votação em plenário, o que deve acontecer ainda durante a última semana de maio. Se aprovada na Câmara, a PEC vai a votação no Senado e, se aprovada, será sancionada pelo presidente da República.
O relatório fará a junção de duas PECs: a de nº 221/2019, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT de Minas Gerais), que reduzia a jornada máxima para 36 horas gradualmente, ao longo de 10 anos, com compensação para empresários; e a PEC nº 8/2025, de autoria da deputada Érika Hilton (Psol de São Paulo), também estabelecendo o teto em 36 horas semanais, mas divididas em até 4 dias (escala 4×3), mantendo possibilidades de negociação coletiva de trabalhadores (via sindicatos) e patrões.
Entre os 213,5 milhões de habitantes do Brasil, 110 milhões (51,5% do total) estão em idade produtiva (de 15 a 60 anos). No primeiro trimestre de 2026, o país possuía 102 milhões de pessoas trabalhando (92,7% da população em idade produtiva), sendo 60 milhões no regime CLT (59% dos trabalhadores e 28% da população total). Entre esses trabalhadores de carteira assinada, cerca de 20 milhões (33% dos CLTs, 20% dos trabalhadores ativos e 9,4% da população) trabalham na escala 6×1.

