Fim da escala 6×1 só desespera quem nunca conheceu a exaustão

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Eu não nasci deputada, meus amigos leitores. Muito antes de ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa (Alerj), fui uma trabalhadora precarizada como milhões de brasileiras e brasileiros que conhecem, no corpo e na rotina, o peso das jornadas extenuantes impostas pelas dinâmicas de trabalho no nosso país. Quando trabalhei como atendente de telemarketing, vivi uma rotina muito próxima da escala 6×1 e experimentei o desgaste de dias que parecem se repetir sem pausa, em que o cansaço se acumula e o tempo para si mesmo vai desaparecendo. Era difícil ter forças para conseguir ser eu mesma, estar com minha família ou fazer um churrasquinho com os amigos.

Com minhas andanças pelo estado do Rio e por outros estados do meu país amado, só posso ter uma certeza: o povo brasileiro gosta de trabalhar, tem orgulho de colocar o pão na mesa com honestidade e construiu sua história a partir desse compromisso diário com o trabalho. O que não pode ser naturalizado é a ideia de que, para garantir o sustento, milhões de pessoas precisem abrir mão da própria saúde, da convivência familiar e do direito de viver com dignidade.

É justamente dessa experiência concreta que nasce a defesa do fim da escala 6×1. Estamos falando de assegurar que trabalhadoras e trabalhadores tenham tempo para cuidar dos filhos, acompanhar os estudos, olhar para a própria saúde, descansar e também acessar aquilo que faz parte de uma vida plena, como cultura, lazer e formação.

Uma sociedade que valoriza o trabalho precisa valorizar também quem trabalha. E isso passa, necessariamente, por reconhecer que descanso não é luxo, mas parte indispensável de qualquer projeto de justiça social.

Por isso, os próximos passos dados em Brasília têm um peso histórico. O acordo para avançar na redução da jornada semanal e consolidar dois dias de descanso representa uma conquista concreta da classe trabalhadora brasileira. Esse avanço acontece porque existe um governo que decidiu assumir esse compromisso. E precisamos, sim, falar da importância do nosso presidente nesse caminho. Lula (PT) colocou essa pauta no centro do debate nacional e reafirmou que desenvolvimento econômico e justiça social precisam caminhar juntos, ao contrário do que a oposição alega. Os verdadeiros inimigos dos trabalhadores.

Bem-estar social que move a economia

Durante muito tempo, esse tema foi tratado apenas sob a ótica dos grandes empresários e dos interesses imediatos do mercado. Esse olhar limitado ignora um ponto essencial: o bem-estar social também move a economia. Trabalhadores menos exaustos produzem melhor, adoecem menos e têm mais condições de permanecer em seus empregos. Sobram pesquisas sobre isso, não é achismo. Na Europa, já não se discute mais a escala 6×1, mas a adoção de uma escala 4×3. Mais tempo livre também significa mais circulação econômica, com maior consumo de cultura, serviços e lazer em todo o país.

O Brasil reúne condições para dar esse grande e valioso passo. Nossa economia comporta essa mudança e a sociedade já demonstrou que deseja um novo pacto sobre o trabalho. O que está em curso agora é um processo de atualização das relações trabalhistas, compatível com o país que queremos construir, mais justo, mais humano e comprometido com a qualidade de vida da população.

Essa conquista não surgiu por acaso. Ela é resultado de décadas de luta do movimento sindical, dos trabalhadores organizados e da esquerda brasileira, mas também do movimento político decisivo conduzido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que mais uma vez demonstrou sensibilidade e compromisso histórico com quem vive do próprio trabalho. Ao abrir espaço para ouvir as reivindicações do Movimento VAT (Vida Além do Trabalho) e reconhecer a mobilização liderada por Rick Azevedo, Lula mostrou a capacidade política que sempre marcou sua trajetória: transformar a voz do povo em ação institucional concreta.

O avanço do fim da escala 6×1 é, sem dúvida, uma vitória da esquerda brasileira, que nunca abandonou a defesa dos direitos trabalhistas, mas seus efeitos ultrapassam qualquer fronteira partidária. Essa é uma vitória para toda a população brasileira, para quem é de esquerda, para quem é de direita e até para quem prefere não falar de política, porque viver com mais dignidade, mais tempo e mais humanidade interessa a todos. Desconfie de quem teme o fim da escala 6×1 mais do que a exaustão de milhões de brasileiros.

Queremos a implementação imediata, Brasília!

*Dani Monteiro é deputada estadual (Psol/RJ) e presidenta da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj.

**Este é um artigo de opinião e não representa necessariamente a linha editorial do Brasil do Fato.

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