Prefeitura do Rio diz que ônibus municipais aceitarão Pix e cartões até o fim de junho

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Após anunciar o fim do pagamento da passagem em dinheiro, a Prefeitura do Rio de Janeiro informou que vai incorporar novos métodos de pagamento nos ônibus municipais: Pix, cartões de débito e crédito. A partir de 30 de maio, o dinheiro em espécie deixará de ser aceito.

A inclusão do Pix nos validadores do Jaé ocorrerá por etapas. Os primeiros testes começaram nesta terça-feira (26) e o sistema será expandido para toda a frota ao longo de junho. Já o uso de cartões de débito e crédito ficará em fase de testes até 15 de junho e deverá estar disponível em todos os ônibus até o fim do mês.

A prefeitura também anunciou novos pontos físicos para compra e recarga do cartão municipal. Ainda nesta terça-feira, os cartões destinados a viagens únicas — sem integração tarifária — começaram a ser vendidos em mais de 700 bancas de jornal. O cartão terá valor inicial de R$ 10, sendo R$ 5 referentes ao custo do cartão e R$ 5 à passagem.

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Para Licinio M. Rogério, integrante do Conselho Municipal de Transportes, as mudanças são bem-vindas, mas deveriam ser implementadas gradualmente e em diálogo com a sociedade. “Essa decisão sobre o Pix veio depois do anúncio do fim do uso do dinheiro e não passou pelo conselho”, lamentou ao Brasil de Fato.

Ele também defende outras mudanças, como a possibilidade de entregar o cartão diretamente no ônibus como forma de pagamento da passagem, mesmo sem créditos. “Atualmente, é preciso ir até um posto do Jaé para obter o reembolso dos R$ 5 do cartão. Ou seja, você desembolsa R$ 10 para recuperar R$ 5”, critica Licinio, que também é um dos coordenadores do Fórum de Mobilidade do Clube de Engenharia do Brasil.

Apesar da adoção de novas formas de pagamento, a integração tarifária continuará disponível apenas para usuários com cartão registrado no Jaé por meio do CPF. Com esse cartão identificado — ou pela conta Jaé acessada no celular — o passageiro pode utilizar dois sistemas.

O primeiro é o Bilhete Único Carioca (BUC), que permite o uso de diferentes modais durante três horas, como VLT, BRT, vans municipais e ônibus. Também é possível pagar tarifa reduzida ao utilizar o metrô após sair do BRT. Já o Bilhete Único das Margaridas (BUM), ativado no Terminal das Margaridas, tem validade de 20 horas. Nesse caso, o passageiro paga R$ 5 na ida e não paga a volta.

Pagamento eletrônico é excludente?

“O principal mecanismo de exclusão nos transportes não é o meio de pagamento, mas o valor da tarifa”, afirmou o pesquisador do Observatório das Metrópoles, Juciano Rodrigues ao Brasil de Fato. Ele defende a adoção do Sistema Único de Mobilidade (SUM), com gratuidade universal como princípio central.

Para o pesquisador, as medidas adotadas pela Prefeitura do Rio são necessárias e chegam, inclusive, com atraso. O professor do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) destaca que a parcela da população que ainda utiliza dinheiro para pagar a passagem é pequena. “O Rio já transporta milhares de pessoas em modais que não aceitam dinheiro, como metrô, VLT, BRT e trens”, acrescentou.

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