Cuba e Venezuela manifestam apoio ao presidente Petro em meio às agressões de Trump — Brasil de Fato

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Em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre os Estados Unidos e a Colômbia, os presidentes de Cuba e da Venezuela manifestaram apoio ao mandatário colombiano, Gustavo Petro. O gesto ocorre após declarações do ex-presidente estadunidense Donald Trump, que o chamou de “o pior presidente que a Colômbia já teve” e o acusou de ter “problemas mentais”.

Por meio de sua conta oficial na rede social X, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, expressou solidariedade a Petro e condenou o que classificou como uma tentativa dos Estados Unidos de “reimpor a Doutrina Monroe” na América Latina.

“Querido presidente Gustavo Petro, os povos de Nossa América estão com você e com a Colômbia. Rejeitamos a ingerência e as falácias do governo estadunidense, que tenta reimpor a Doutrina Monroe em suas relações com as nações soberanas da América Latina e do Caribe”, publicou Díaz-Canel, acompanhando a mensagem com uma foto sua ao lado de Petro em Havana.

Por sua vez, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, também se manifestou em apoio à Colômbia. Durante um ato televisionado, por ocasião da inauguração de uma sala de projetos autogestionários para comunas, Maduro afirmou que “Colômbia e Venezuela são uma só nação” e advertiu que qualquer ameaça contra a Colômbia “será considerada também uma ameaça contra a Venezuela”. “No coração, nós somos a Grande Colômbia fundada por nosso Libertador Simón Bolívar”, assegurou.

As declarações de solidariedade ocorrem em um contexto em que Trump tem intensificado, nos últimos meses, ataques contra os governos da Colômbia e da Venezuela — acusando-os, sem apresentar provas, de fomentar o narcotráfico e de serem responsáveis pela crise de consumo de drogas que os Estados Unidos enfrentam há alguns anos.

Recentemente, a agressividade contra a Colômbia atingiu um novo patamar quando, no último domingo (19), Trump acusou Petro de ser “um líder do narcotráfico” em uma mensagem publicada em sua conta oficial na Truth Social. Na mesma publicação, afirmou que o presidente colombiano “incentiva a produção em massa de drogas” em todo o país.

“O presidente colombiano Gustavo Petro é um líder do narcotráfico que incentiva a produção massiva de drogas, tanto em grandes quanto em pequenos campos, por toda a Colômbia. Tornou-se, de longe, o maior negócio do país, e Petro não faz nada para detê-lo, apesar dos pagamentos e subsídios em larga escala dos EUA”, declarou o magnata.

Os ataques recentes de Trump também ocorrem depois que, em meados de setembro, os Estados Unidos excluíram a Colômbia da lista de países que colaboram ativamente no combate às drogas. Apesar de o governo Petro ter significativamente aumentado o volume de entorpecentes apreendidos — alcançando níveis recordes —, Washington argumentou que Bogotá “descumpriu manifestamente” seus compromissos internacionais nessa área, sem oferecer maiores detalhes.

Uma crescente agressão contra a América Latina e o Caribe

Nos últimos dois meses, sob o pretexto de “combater o narcotráfico”, Washington vem militarizando o Caribe e ameaçando a paz na região.

Estima-se que os Estados Unidos tenham deslocado cerca de 10 mil soldados para o Caribe, junto com oito navios de guerra e um submarino de propulsão nuclear. A maior parte dessas tropas está em Porto Rico, onde os EUA montaram uma frota que inclui navios de guerra, submarinos nucleares e uma dúzia de caças F-35.

No entanto, outros países também estão sendo militarizados. É o caso do Panamá, onde os Estados Unidos vêm destacando efetivos no estratégico Canal do Panamá, provocando grandes protestos que foram duramente reprimidos pelo governo de Mulino, alinhado a Washington. Diversos movimentos sociais e organizações de direitos humanos denunciam que, durante essas repressões, ocorreram graves violações de direitos humanos, incluindo assassinatos e sequestros de ativistas.

Paralelamente a esse deslocamento militar, desde o início de setembro, Washington tem realizado uma série de ataques ilegais contra pequenas embarcações próximas à costa venezuelana. Embora faltem informações precisas, estima-se que o exército estadunidense tenha conduzido pelo menos sete operações — podendo ser mais —, que resultaram na morte de 29 pessoas.

Em várias ocasiões, Petro condenou esses ataques, classificando-os como execuções extrajudiciais. Em entrevistas, também afirmou que as operações estão afetando barcos de pescadores colombianos e de outros países, como Trinidad e Tobago. “Não existe norma em nenhum direito que permita disparar mísseis contra barcos com jovens desarmados no mar, qualquer que seja sua atividade”, declarou.

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