Com direita unida no segundo turno, expectativa é de disputa acirrada nas eleições da Colômbia

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Em poucos dias os colombianos vão às urnas para decidir entre a continuidade do projeto de país capitaneado por Gustavo Petro e a volta de um governo de direita. O favorito ao pleito do próximo domingo (31) é o candidato do Pacto Histórico Iván Cepeda, que herda o capital político das reformas de esquerda promovidas por Petro. Ainda assim, a disputa deve ir para o segundo turno. Os principais adversários são a senadora Paloma Valencia e Abelardo de La Espriella, candidato que representa a extrema direita, frequentemente comparado ao presidente de El Salvador, Nayib Bukele.

Ao Conexão BdFsim Rádio Brasil de FatoGustavo Menon, docente na Universidade Católica de Brasília (UCB) e no programa de pós-graduação em Integração da América Latina da Universidade de São Paulo (Prolam-USP), avalia que, apesar da pequena vantagem de Cepeda, a disputa será acirrada. “É uma eleição bastante dividida e marcada por um cenário de profundas incertezas. Iván Cepeda vem dando continuidade à formação da sua candidatura no sentido de avançar com as iniciativas que foram realizadas com o governo Gustavo Petro. A Colômbia é marcada por uma série de conflitos”, avalia.

O professor acredita que o resultado da eleição será decisivo para a correlação de forças no continente e será marcado por esse quadro de rearranjo das forças políticas na América do Sul. “De fato, esse governo de Petro e agora Cepeda tenta dar vazão às forças progressistas na América do Sul, tem o poder de catalisar forças onde a conjuntura não é favorável a governos de esquerda em toda a região”, ressalta.

Gustavo Menon destaca as reformas mais importantes no governo Gustavo Petro, entre elas, a reforma agrária, a reforma na saúde e a implementação de políticas orientadas para o cuidado. “Devemos esperar para o próximo domingo uma eleição bastante dividida, já que a tendência é que essas forças de direita e extrema direita tendam a se agrupar no segundo turno”, analisa.

Apesar de os Estados Unidos não terem declarado textualmente apoio a Abelardo de La Espriella, aliados de Donald Trump têm sinalizado o desejo de que essa ingerência aconteça. O senador estadunidense Bernie Moreno, de origem colombiana e ferrenho apoiador de Trump, chegou a dizer que “os EUA podem não reconhecer resultado das eleições”, como noticiou o Uol.

Menon considera que esse tipo de movimentação não surpreende e que reforça a narrativa de Trump de tratar a América Latina como região histórica de sua influência. Além disso, menciona a situação da Venezuela como exemplo da implementação da política de defesa estadunidense que visa controlar o hemisfério, já que tem perdido a disputa geopolítica no Oriente Médio com o fracasso da condução das negociações com o Irã.

“Existe essa tendência dos EUA de enxergar na América Latina essa região de expansão da sua área de atuação. Por isso, é importante olhar para esse fenômeno de ‘bukelização’ da América Latina. Por isso, será uma eleição decisiva do ponto de vista da configuração dos governos progressistas, dos governos de esquerda, já que estamos falando de um cenário marcado por uma fragmentação política e uma desintegração econômica, onde cada vez mais existe essa aposta dos movimentos sociais para avançarmos na direção de uma América Latina mais justa, mais unida e mais solidária, mesmo com as pressões unilaterais dos EUA”, defende.

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