A Companhia Estatal de Energia Nuclear russa, Rosatom, informou que um drone ucraniano atingiu o prédio da sala de máquinas da sexta unidade de Zaporizhzhia, a maior usina da Europa. A área está sob domínio russo desde o início do conflito em 2022. O chefe da corporação apontou que o ataque é o primeiro, na história mundial, direcionado a equipamentos críticos em uma usina nuclear.
Alexei Likhachev, diretor-geral da Rosatom, informou que o impacto causou uma explosão e abriu um buraco na parede da sala de máquinas. Os equipamentos principais, no entanto, não foram danificados, também não houve vítimas. Segundo ele, o drone era controlado por fibra óptica, descartando a possibilidade de um impacto acidental.
A Ucrânia rejeitou as acusações. O Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia afirmou em comunicado que elas careciam de “lógica”. “Não está claro por que a Ucrânia atacaria sua própria usina nuclear localizada em seu próprio território, que ela busca recuperar sob seu controle soberano”, disse o órgão.
Radiação controlada
Os níveis de radiação permanecem normais no local, afirmou a companhia em comunicado. O órgão informou que as equipes de emergência estão avaliando os danos sofridos pela sala de máquinas, e a situação permanece sob controle total.
Likhachev acusou as forças ucranianas de ultrapassarem limites intransponíveis e de mau senso. Ele alertou para os riscos de potenciais ataques contra outras instalações críticas da usina, incluindo turbinas, o reator ou os sistemas de segurança. O diretor salientou que incidentes desse tipo poderiam ter consequências além da Rússia e da Ucrânia, em caso de uma emergência nuclear.
O chefe da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), organismo das Nações Unidas, escreveu na rede social X, no sábado (30): “Não deve haver nenhum tipo de ataque vindo de ou contra a usina”. “Atacar instalações nucleares é como brincar com fogo”, acrescentou.
Uma equipe de especialistas da AIEA visitou a fábrica neste domingo para avaliar os danos, afirmou Mikhail Ulyanov, enviado da Rússia à agência da ONU e a outras organizações internacionais em Viena. Ele compartilhou imagens do local, mostrando o buraco na parede do galpão de máquinas causado pelo drone.
*Com informações de Telesur, AFP e RT

