As tensões no Oriente Médio se agravaram depois que Israel ignorou o processo de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã e promoveu um ataque no sul do Líbano, que deixou oito mortos. O governo israelense chegou a declarar que a questão do Líbano e do Hezbollah não tinha relação com o Irã.
O governo persa culpou os EUA e falou em retaliação. Nesta mesma terça-feira (9), um helicóptero do Exército dos EUA foi abatido no Estreito de Ormuz, elevando o tom das ameaças.
Reginaldo Nasser, professor de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), acredita que Trump esteja, em certa medida, fazendo um teatro quando adota a narrativa de que quer o fim do conflito e que estaria de mãos atadas por causa do lobby sionista.
“Muitos dizem que há um lobby israelense dos Estados Unidos de tal força que faz com que os Estados Unidos desviem os seus interesses nacionais. Essa é uma crítica que está presente inclusive em setores da direita americana, que tem dito o seguinte: ‘Olha, não nos interessa essa guerra, não tem nada a ver com o interesse nacional dos Estados Unidos e não podemos nos submeter a Israel’”, explicou Nasser em entrevista ao Conexão BdFsim Rádio Brasil de Fato.
“Eu continuo com a interpretação de que Israel é um instrumento, porque lobby nenhum vai controlar o governo Trump ou sua base política, que tem maioria no Congresso. Se realmente quisessem parar essa guerra, eles a parariam. Não faz muito sentido imaginar que o mais poderoso seja controlado pelo mais fraco. Por isso, essa ideia de que Israel dirige os Estados Unidos não me convence muito”, argumenta.
Para Nasser, Trump é um jogador e aposta alto. Essas movimentações no Estreito de Ormuz nesta terça-feira (9), com trocas de farpas com o governo persa são a maior prova dessa conduta. “Se ele conseguir liberar o Estreito de Ormuz, ele acha que vai sair como herói, como o grande vencedor da guerra. Então, eu acredito que ele ainda está insistindo que pode ganhar essa guerra, liberar o Estreito de Ormuz e, com isso, derrotar o Irã”, explica.
Reginaldo Nasser remonta a histórica relação simbiótica entre os presidentes dos EUA e os primeiros-ministros de Israel e como essa construção fez com que os países sempre orbitassem nas disputas do Oriente Médio. “Se a gente pegar de (Harry) Truman até hoje, é a mesma lenga-lenga. Eu me lembro de quando Netanyahu entrava em confronto com Obama. Obama dizia que Netanyahu não faria o que queria, e assim por diante. No entanto, tudo continuou. Os Estados Unidos têm o dinheiro, as armas e sustentam Israel. No dia em que isso deixar de acontecer, Israel estará completamente perdido. Porque não é apenas uma questão de Israel ter inimigos desde o início. Ele construiu inimigos ao longo do tempo. Constrói inimigos com muita facilidade, porque ele ataca todos. Hoje, por exemplo, até a Arábia Saudita, que era uma grande aliada de Israel, já está recuando”, afirma.
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