O comentarista da CNN José Eduardo Cardoso e o cientista político Carlos Magno debateram, na terça-feira (9), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), se a “politização pode contaminar eventual delação de Vorcaro?”
O entorno de Daniel Vorcaro, do Banco Master, avalia que as negociações de sua delação premiada foram contaminadas por interesses políticos. A avaliação, apurada pela CNN Brasilindica ainda que o ex-banqueiro deve permanecer preso pelo menos até o fim do processo eleitoral.
Segundo fontes próximas a Vorcaro, há um incômodo com o que consideram má vontade da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República em relação ao material entregue nas negociações. O entorno afirma que esse material estaria mais aprofundado do que a primeira versão e que detalharia a relação do ex-banqueiro com personagens dos três poderes.
A avaliação é de que não interessaria às autoridades avançar com algo que pudesse gerar amplo prejuízo político antes das eleições.
Tese da politização é uma “vacina política”
José Eduardo Cardozo foi categórico ao rebater a tese levantada pelo entorno de Vorcaro. Para ele, a narrativa da politização funciona como o que chamou de “vacina política”, uma estratégia para desviar a atenção dos fatos investigados.
“Quem é o entorno de Vorcaro? Só pode ser pessoas que de algum nível têm uma relação com ele. Se têm relação com ele, possivelmente participaram do grande universo de falcatruas que ele produziu”, afirmou. Segundo Cardozo, essas pessoas teriam interesse em que a delação não avançasse, pois temem ser envolvidas no processo.
Cardozo também questionou a lógica de uma delação premiada que não acrescenta informações novas. “Se o delator mente ou não apresenta as provas que provavelmente tenha, por que se vai negociar com ele se ele não está acrescentando nada?”, argumentou.
Para ele, a Polícia Federal, o Ministério Público e o ministro do STF André Mendonça, que conduz o inquérito, agiram de forma absolutamente natural ao não concordar com o material apresentado. Cardozo destacou ainda que a pena de Vorcaro tende a ser alta, independentemente de eventual delação, dada a quantidade e a gravidade dos delitos investigados.
Politização é natural, mas não justifica o esquema
Magno Karl reconheceu que algum grau de politização no caso é inevitável, dado que o esquema investigado teria distribuído bilhões de reais entre agentes da política brasileira. “É muito difícil não haver politização na abordagem, na discussão, na investigação de um crime que literalmente distribuiu bilhões, pelos players da política no Brasil”, disse.
No entanto, Karl foi enfático ao afirmar que isso não transforma Vorcaro em vítima. “O sistema funciona para proteger a sociedade, não é para proteger o bandido”, afirmou.
Karl também destacou que Vorcaro teria mentido na primeira proposta de delação, e que a imprensa, uma semana depois, descobriu fatos com provas que ele nem havia mencionado. Para o analista, o entorno do ex-banqueiro prefere falar sobre política justamente para desviar o foco das provas concretas.
“Algumas coisas são apenas uma questão de polícia e bandido. E é importante que a gente não esqueça quem é a polícia e quem é o bandido nesse caso”, concluiu.

