Irã reage a ataques dos EUA, alerta países com bases estadunidenses e acusa Washington de minar negociações

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Os ataques lançados pelo Irã contra bases dos Estados Unidos na Jordânia e no Bahrein nesta quarta-feira (10) elevaram a tensão no Oriente Médio e afastaram a possibilidade de um acordo de paz entre Washington e Teerã. A ofensiva iraniana ocorreu poucas horas após os Estados Unidos concluírem uma série de bombardeios contra alvos militares iranianos em resposta à suposta derrubada de um helicóptero Apache sobre o Estreito de Ormuz associada ao Irã.

O governo iraniano responsabilizou Washington pelo agravamento da crise e acusou os Estados Unidos de minarem as tentativas de negociação em curso. Em declaração divulgada nesta quarta-feira, o Ministério das Relações Exteriores do país afirmou que as recentes ações militares estadunidenses comprometem os esforços internacionais voltados para uma solução diplomática do conflito.

Segundo o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baqaei, a postura dos Estados Unidos tem sido marcada por “mensagens contraditórias”, mudanças frequentes de posição e sucessivas violações do cessar-fogo em vigor desde 8 de abril. Para Teerã, essas atitudes enfraquecem a confiança necessária para qualquer processo de negociação.

“Qualquer processo diplomático é prejudicado pelo uso da força e pelo recurso a ações ilegais no terreno”, afirmou Baqaei. O porta-voz sustentou ainda que a continuidade dos ataques dificulta a retomada do diálogo e amplia os riscos de uma escalada militar na região.

Retaliação

A Guarda Revolucionária Islâmica (GRI) anunciou que utilizou mísseis de longo alcance para atingir instalações militares estadunidenses na região. Em comunicado, a corporação afirmou ter atacado quatro alvos na Jordânia, incluindo hangares utilizados por caças F-35 e centros de comando das forças americanas. O Exército jordaniano informou ainda que interceptou cinco mísseis e não registrou vítimas ou danos. Além da Jordânia, o Irã também reivindicou ataques contra uma base dos Estados Unidos no Bahrein.

A ofensiva foi apresentada por Teerã como resposta aos bombardeios estadunidenses realizados durante a madrugada. Segundo o Comando Central dos Estados Unidos, a operação atingiu sistemas de defesa aérea, radares de vigilância e estações de controle próximas ao Estreito de Ormuz.

“Nossas forças estão prontas para dar uma resposta esmagadora e decisiva a qualquer nova agressão do inimigo, e o inimigo americano arcará com a responsabilidade pelas consequências de qualquer nova agressão”, enfatizou a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC).

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que “o regime dos EUA, sob o pretexto da queda de um helicóptero Apache pertencente ao exército terrorista daquele país sobre o Estreito de Ormuz na noite de segunda-feira, realizou ataques brutais” contra o Irã. Araghchi disse ainda que as forças iranianas não deixarão “sem resposta nenhum ataque ou ameaça” e Washington de testar a determinação do país e advertiu forças estrangeiras presentes na região.

Em um comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou os ataques estadunidenses e acusou os Estados Unidos de violar a Carta das Nações Unidas e a soberania iraniana. “O Ministério das Relações Exteriores reitera a responsabilidade legal e moral de todos os países da região, especialmente os países localizados ao longo da costa sul do Golfo Pérsico, de impedir qualquer uso de seus territórios e instalações pelas forças militares terroristas dos EUA e pelo regime sionista para planejar, organizar, executar e apoiar ações agressivas contra o Irã”, diz um trecho.

O texto ainda “adverte que a República Islâmica do Irã não hesitará em exercer seu direito inerente de autodefesa, inclusive atacando a origem dos ataques, bem como as bases e instalações logísticas utilizadas para realizar e apoiar operações agressivas contra o Irã”, acrescentou.

“O Ministério das Relações Exteriores da República Islâmica do Irã também enfatiza, mais uma vez, a responsabilidade das Nações Unidas, particularmente do Conselho de Segurança desta organização e do Secretário-Geral, de salvaguardar a paz e a segurança internacionais e responsabilizar as partes agressoras”, concluiu o comunicado.

A nova escalada ocorre em um momento de incerteza sobre as negociações entre Washington e Teerã. Poucas horas antes dos ataques, Donald Trump havia afirmado que as conversas para encerrar mais de três meses de guerra estavam na fase final e que um acordo poderia ser alcançado em “dois ou três dias”. Após a suposta derrubada do helicóptero, porém, o presidente estadunidense declarou que os Estados Unidos responderiam de maneira “forte” e “muito poderosa”.

O confronto também representa o momento de maior tensão entre os dois países desde a entrada em vigor do cessar-fogo de 8 de abril. O acordo vinha sendo pressionado desde o fim de semana, quando Irã e Israel retomaram a troca de ataques após uma trégua temporária. Segundo o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, um entendimento entre Washington e Teerã estava “prestes a ser fechado” antes da retomada dos combates.

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