Histórias da era do petróleo (4)

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No artigo anterior, vimos como o petróleo passou a ser escasso e disputado durante a Segunda Guerra Mundial, atingindo a economia do mundo todo. Foi decisivo nas batalhas e na definição final da Guerra.

Ao final da Guerra, os Estados Unidos (EUA) eram os maiores produtores e exportadores, chegando a disponibilizar 70% de todo o petróleo no mundo.

Karl Benz e o primeiro veículo alemão

O grande impulso do consumo de petróleo, após a sua descoberta, foi quando Henry Ford nos EUA e Karl Benz, na Alemanha, passaram a produzir veículos em série.

Após a Segunda Guerra novamente tivemos um forte impulso em toda a economia baseada no petróleo.

Nos EUA, em 1945 havia 26 milhões de carros, que aumentaram para 40 milhões em 1950, aumentando fortemente a demanda de petróleo.

Aos poucos, tendo que atender a sua demanda interna, os EUA deixaram de ser exportadores líquidos (menos exportação do que importação), embora grandes produtores. Esta situação perdura até hoje, sendo atualmente os EUA os maiores produtores de petróleo, mas o segundo maior importador, atrás da China. Os EUA consomem atualmente um quinto de todo o petróleo do planeta.

Os países do Oriente Médio, especialmente a Arábia Saudita, além do Irã, Kuwait e Iraque, passaram a ser os maiores fornecedores do planeta.

As Sete Irmãs do petróleo -1945-1960

Nesse período surgiram as “Sete Irmãs”, gigantes empresas multinacionais que dominavam o mercado global de petróleo. Cinco eram norte-americanas: Texaco, Gulf Oil, Chevron, Mobil e Exxon, e duas europeias: Bristish Petroleum (BP) e Royal Dutch Shell. Atualmente, após aquisições e fusões, estão agrupadas nas seguintes empresas: Chevron, ExxonMobil, Shell e BP.

Em 1960 os países produtores, a Arábia Saudita à frente, fundaram a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), visando atuar de forma unificada e recuperar o controle de seu produto e definição de preços.

A OPEP se opôs às “Sete Irmãs”, promoveu nacionalizações e a criação e o fortalecimento de empresas nacionais, que passaram a atuar tanto nas nações associadas como em outras.

Daí, surgiram “Sete Novas Irmãs”, a saber: Saudi Aramco, a gigante da Arábia Saudita, preside a OPEP, Gazprom (Rússia), CNPC (China National Petroleum Corporation), NIOC (National Iranian Oil company) do Irã, PDVSA (Petroleo de Venezuela S.A.), da Venezuela, Petronas, da Malásia e Petrobras, do Brasil.

A seguir, vamos falar mais sobre a nossa gigante do petróleo.

Petróleo Brasileiro S.A. : Petrobras

Após ampla campanha pelo monopólio do petróleo brasileiro na União, iniciada ainda na década de 1940, em 3 de outubro de 1953 o presidente Getúlio Vargas assinou a Lei 2004/53. Esta lei estabelecia que as atividades de “pesquisa, lavra, refino e transporte de petróleo e derivados em território nacional” seriam monopólio da União e executadas pela Petróleo Brasileiro S.A, – PETROBRAS -.

Desde o início a Petrobras passou a trabalhar visando superar nossa dependência de importação do petróleo, com formação de pessoal e grandes investimentos. Nem sempre esta orientação foi observada.

Em 1954 a sede da Petrobras passou a ser no Rio de Janeiro, então capital do país.

As primeiras produções ocorreram em terras baianas, a partir de Candeias. Ocorreu a incorporação de três refinarias na sequência: em 1954, Landulpho Alves (RLAM), na Bahia; em 1955, Presidente Bernardes (RBPC), em Cubatão (SP) e 1956, Isaac Sabbá, em Manaus (AM). De 1961 até 1980 foram construídas 6 refinarias em diferentes estados, todas capazes de processar somente petróleos leves, que seriam importados. Também foi implantada a Refinaria de Lubrificantes e Derivados do Nordeste (LUBNOR), em Fortaleza (CE). Neste período também foram construídas três fábricas de fertilizantes (Fafen), em Camaçari (BA), Laranjeiras (SE) e Araucária (PR).

Em 1963 a Petrobras criou o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), fundamental no apoio tecnológico de grandes descobertas e conquistas. Localizado na Ilha do Fundão do Rio de Janeiro, é um dos maiores e principais centros de pesquisa, desenvolvimento e inovação aplicada em energia do Hemisfério Sul.

A primeira descoberta de petróleo no mar ocorreu em 1968, no litoral de Sergipe, região que atualmente voltou a ser explorada em águas profundas.

Bacia de Campos – Foto: Petrobras

Foi na Bacia de Campos – Rio de Janeiro e Espírito Santo – onde, a partir de 1977, a Companhia desenvolveu e ainda produz grandes quantidades de petróleo, em águas cada vez mais profundas, com tecnologia apoiada pelo Cenpes.

Produção em águas profundas – Foto: Petrobras

Em cada período, a companhia realizava produções em águas mais profundas, tornando-se a principal empresa do mundo nesta especialidade, sempre convidada por outras empresas internacionais em leilões em regiões com esta característica como o Golfo do México.

Produção de petróleo no decorrer do tempo – Fonte: Petrobras

No quadro acima vimos o crescimento da produção de petróleo desde o início até o início dos anos 2000, quando a Bacia de Campos contribuía com aproximadamente 80% de toda a produção nacional.

Durante a ditadura militar (1964-1985) houve ampla vigilância interna e repressão na companhia, inclusive com um órgão interno chamado Divisão de Informações e Vigilância (DIVI).

O crescimento da produção na Bacia de Campos foi mantido e o refino foi aumentado. A companhia também participou dos Pólos petroquímicos de Camaçari (BA) e Triunfo (RS).

Em 1988 iniciou a produção de petróleo e gás natural de alta qualidade no campo de Urucu, no Alto Amazonas.

Em 1997, através da Lei 9.478, o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) retirou da Petrobras o monopólio da pesquisa, produção e refino de petróleo, abrindo a possibilidade de outras empresas, nacionais ou estrangeiras, realizarem estas atividades através do regime de concessão.

Os campos para exploração e produção passaram a ser concedidos pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e decididos pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

O crescimento da companhia foi desestimulado.

A captação de recursos foi fortemente dirigida à Bolsa de Valores, principalmente nos EUA, passando os norte-americanos a possuir mais de 40% das ações da companhia. A União mantém o controle acionário da Petrobras com 50,26% das ações ordinárias, com direito a voto, porém com apenas em torno de 29% das ações totais.

Nos anos 2000, a exploração passou a ser mais profunda ainda, atravessando uma enorme camada de sal, sendo encontradas e produzidos gigantes volumes de petróleo e gás natural, quando o Brasil conquistou a autossuficiência de petróleo cru.

Em edição próxima falaremos sobre isto e outros aspectos fundamentais.

** Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

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