Ligado aos casamentos e cuidados com os pobres, Santo Antônio abre temporada junina e segue como um dos mais populares do país

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Neste sábado (13), começam as celebrações religiosas dos santos juninos, com homenagens a um dos de maior apelo popular no Brasil: Santo Antônio. Ele é padroeiro do Recife e de Pernambuco, assim como da Arquidiocese de Recife e Olinda, além de outros 12 municípios e 14 dioceses e arquidioceses pelo país. Sua trajetória, seus milagres e intercessões, ligados a questões como matrimônios, coisas perdidas e atenção aos mais pobres, explicam sua popularidade no país.

Nascido em 1195 como Fernando de Bulhões e Taveira de Azevedo, tornou-se Antônio ao migrar da Ordem dos Agostinianos, onde entrou aos 15 anos, para a Ordem dos Frades Menores, criada Francisco de Assis (que ainda não era São Francisco), de quem Antônio acabou se tornando próximo e uma referência. Nos Frades Menores, viveu uma vida de simplicidade e estudos, desenvolvendo uma pregação notória que, segundo a tradição, fez até peixes emergirem na foz de um rio só para ouvi-lo. Morreu jovem, aos 36 anos, e teve um dos processos de canonizações mais rápidos da história da Igreja Católica, concluído apenas um ano após sua partida.

No Recife, município em que é copadroeiro ao lado de Nossa Senhora do Carmo, o santo também dá nome a um bairro no coração da cidade. Por lá, na rua do Imperador, também batiza um convento, que vem há 13 dias — a chamada trezena — realizando missas e louvores em sua homenagem, culminando em uma procissão neste sábado (13) pelo centro da cidade.

O Frei Edilson, guardião do mencionado Convento de Santo Antônio, considera que foi construída ao longo da história uma proximidade mais íntima entre o santo e a população brasileira, o que ajuda a explicar sua popularidade. “Existe uma relação de amizade das pessoas com ele. É um santo que sempre foi muito celebrado nas casas, por exemplo, mas fomos perdendo a cultura de reunir a família para entoar seus cânticos próprios, que acabam sendo esquecidos porque ninguém registrou”, afirma Frei Edilson.

Com sua popularização no país, veio também sua fama de “santo casamenteiro”. As origens dela remontam aos tempos em que ele ajudava a organizar os dotes para moças solteiras de origem humilde conseguirem casar. A partir do sincretismo religioso que acontece no país, em que o santo é ligado a Exu na Umbanda e a Ogum no Candomblé, vieram as simpatias para relacionamentos, sendo a mais notória colocar sua imagem de cabeça para baixo dentro de um copo d’água.

“Não é algo que parte da Igreja Católica. Mas a igreja deixa todos muito livres para expressarem seus modos de devoção”, afirma o Frei Edilson. São hábitos que partem justamente de uma relação de amizade que o povo estabeleceu com o santo. Ele relembra que a brasileira Irmã Dulce, hoje Santa Dulce dos Pobres, via Santo Antônio como um amigo, colocando-o de costas ou negando agrados quando ele não a ajudava a resolver situações ligadas ao cuidado com os pobres. Mas, quando ele providenciava, ela tinha maior gosto em oferecer o que havia prometido ao santo.

Frei Edilson é guardião do Convento de Santo Antônio, no Recife

Frei Edilson explica que, na tradição católica, é São José quem, na verdade, é mais ligado à questão do “enamoramento”, sendo Santo Antônio responsável por aspectos mais de organização da vida matrimonial. “As pessoas pedem muito nesse sentido porque ele, de fato, intercede, não deixa ninguém desamparado. Como ele também é um santo ligado às coisas perdidas, há muitos pedidos de intercessão em momentos de separação, visando a reconciliação, quando as pessoas acreditam que seu par foi uma bênção de Santo Antônio”, relata o frei.

O padroeiro do Recife também está diretamente ligado ao cuidado com os mais pobres. Conta a tradição que ele tinha o costume de levar pães do convento aos mais humildes e adoentados. E, ao retornar, via as cestas de pão novamente cheias, conseguindo alimentar tanto os necessitados quanto os frades. O Convento de Santo Antônio dá continuidade a esses cuidados neste momento de celebração.

Em uma parceria com o Instituto Leopoldo Lopes, a Igreja vem acolhendo mulheres em situação de rua e vulnerabilidade social em oficinas para produção das decorações do andor do santo a partir de garrafas PET. As atividades são conduzidas pelo artesão Leopoldo Lopes. “Santo Antônio tinha palavras muito duras em relação às pessoas que tinham dinheiro e poder. Ele acreditava que essas pessoas precisavam buscar uma vida correta, procurar ser parte da solução da miséria — ou teriam uma vida desfalecida”, conclui o Frei Edilson.

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