Em Belo Horizonte, governador come casca de banana e o prefeito destrói ciclovia

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O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião é um daqueles políticos oportunistas da direita sebosa, sustentada por empresários, que atua naqueles esgotos do antipetismo que, lá nas Alterosas, conseguiu o apoio incondicional da mídia na tarefa de exterminar os mandatos progressistas da cidade e do estado com factóides de mensalões e lava-jatos, numa prática tão vil que dispensa comentários.

Para se ter uma ideia, BH hoje está imersa num reacionarismo impressionante, no qual o governador herdeiro de supermercado come banana com casca e o prefeito quer ser conhecido como o cara que impediu o término de uma ciclovia numa avenida em que mora gente rica, a Afonso Pena.

Esse Damião é daqueles do União Brasil, mas já foi PSB e Democratas. Tudo partido de aluguel e tem uma similaridade com seu congênere paulistano, Ricardo Nunes (MDB), pois ambos herdaram o trono por terem sido eleitos na chapa cujos titulares morreram poucos meses depois de assumirem os cargos, a saber, Bruno Covas em 2021 e Fuad Noman, em 2025, este que também tinha herdado a cadeira do titular, Alexandre Kalil, candidato derrotado ao Governo do Estado em 2022.

No caso de ciclovias, no entanto, ainda que o desprezo pelo transporte por bicicletas de ambos seja igual, Nunes atua de forma diferente daquela de Damião. Enquanto o mineiro elegeu a remoção completa de uma ciclovia dentro de um pacote de eliminar qualquer política social ou ambiental — ele apareceu sábado passado ao lado de máquinas da prefeitura que começaram a retirar as barreiras de concreto que separam ciclistas dos carros, contrariando até decisão da Justiça que o obriga a terminar essa obra nessa avenida –, Nunes adotou a política do “empurra com a barriga”, expressão que todo mundo sabe o que significa e estamos sem progredir já faz mais de quatro anos.

Ainda que não se importe com as políticas de incentivo à bicicleta, Nunes segue cumprindo os protocolos mínimos de manutenção e construção de novas rotas. Quando digo mínimo, é isso mesmo: quanto menos, melhor. As manutenções avançam a passos de tartaruga e muitas vezes os usuários têm que reclamar nas redes para reverter algumas presepadas promovidas pela empreiteira. Também chegaram a esticar algumas ciclofaixas aqui ou ali, aproveitando o contrato das Parcerias Público-Privadas de moradia popular da Cohab, que permitiu usar parte do dinheiro do fundo para melhorar a mobilidade ativa nos entornos desses condomínios.

E desenham projetos de novas estruturas para criar editais de contratação de obras de ampliação, mas que invariavelmente travam no Tribunal de Contas do Município, que identifica vícios e recorrentemente precisa refazer a licitação em uma rotina usual que está comprovada nas matérias do Jornal Bicicleta e que o companheiro bicicleteiro sempre acusa a administração de fazer isso com o propósito de ver o edital atrasar mesmo, de modo a não ter que fazer nada.

É triste ver cidades desse porte serem administradas por pessoas que só têm o cifrão no coração. Ao ir contra o incentivo ao uso de bicicletas, esses empresários e seus lugares-tenentes jogam pesado contra o planeta e a humanidade. E, ainda que publiquem planos de metas que atendam às metas da ONU, nem um nem outro está comprometido com qualquer meta de redução de poluição, de combate ao aquecimento global, de redução das desigualdades, e vivem alterando ao bel-prazer todas as metas e compromissos estabelecidos em governos anteriores como parte da contribuição de nossas sociedades para combater o aumento da temperatura da Terra.

Parabenizo aqui o compa Cristiano Scarpelli, um cidadão que chamou para si a responsabilidade de impedir que Álvaro Damião siga na sandice de destruir a ciclovia da avenida Afonso Pena, pois foi comprovado que não causa nenhum congestionamento de veículos e que ele só a pratica pois deve achar que enfrentar ciclista é fácil.

Por último, deixo o convite para quem for de São Paulo se juntar ao coletivo de ciclistas LGBTQ+ Muitos muitosque integrará a Marcha da Maconha, que rola no próximo domingo, 21 de junho, a partir de 14h20, em frente ao Masp, na Avenida Paulista.

*Rogério Viduedo é jornalista de São Paulo e integrante do Programa de Jornalismo de Segurança Viária da Organização Mundial da Saúde. Cobre as áreas de segurança viária a mobilidade sustentável desde 2016. Em 2018, criou o site Jornal Bicicleta para cobrar autoridades por soluções eficientes para deslocamento da população. Recebeu o Prêmio Abraciclo em 2021 com a reportagem “Cultura da bicicleta se aprende na escola”.

** Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

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