Voluntários da Comunidade Jinlong preservam e ensinam, em Shangri-La, no coração do planalto tibetano de Yunnan, sudoeste da China, a produção artesanal do incenso tibetano, patrimônio cultural imaterial de nível nacional.
O conhecimento é transmitido de geração em geração dentro das famílias tibetanas. Para apoiar a tradição local, a Comunidade Jinlong abriu em 2023 o Centro de Experiência do Patrimônio Cultural Imaterial da Cidade Antiga de Shangri-la, espaço público e gratuito, aberto a qualquer visitante e dedicado a apresentar a técnica artesanal do incenso, suas variedades e seus usos terapêuticos.
O jovem Lurong Qilin é um dos voluntários que atuam no local. No segundo andar do centro, ele apresenta a tradição e suas diferentes variedades, explicando as propriedades de cada tipo e a lógica por trás de sua fabricação. Ao todo, são cinco tipos com funções distintas: acalmar a mente, fazer oferendas a Buda, estimular a sabedoria, remover obstáculos e purificar o ar. Em cada fórmula, os ingredientes são combinados em proporções únicas, desenvolvidas e refinadas ao longo de gerações.
“Na fabricação, usamos apenas matérias-primas naturais, principalmente plantas medicinais. Cada tipo de incenso incorpora uma fórmula medicinal única, resultando em efeitos diferentes no corpo humano após a queima”, explicou Lurong Qilin.
O cipreste
O incenso tibetano é composto por dezenas de plantas ou árvores, entre elas sândalo, açafrão e cravo. O cipreste, uma árvore cuja resina é abundante nas montanhas da região, ocupa lugar especial como material principal ou base da mistura, conforme definido pela norma de qualidade chinesa DB54/T 0080-2014. Tradicionalmente, a madeira de cipreste é triturada para formar a base do incenso, à qual são adicionados outros ingredientes medicinais e aromáticos.
“O cipreste desempenha um papel fundamental no incenso tibetano. Os primeiros praticantes descobriram que, quando as ervas medicinais eram moídas e acesas diretamente, a mistura se apagava logo após a ignição ou não chegava a queimar. A solução está no cipreste, que contém resina natural em abundância. Misturada ao pó medicinal, essa resina age como um combustível natural, permitindo uma queima estável sem comprometer as propriedades terapêuticas das ervas”, descreveu Lurong Qilin.
Fabricação manual
Para preservar as propriedades terapêuticas dos ingredientes, todo o processo é feito à mão. O calor da moagem mecânica destruiria os princípios ativos, comprometendo os efeitos medicinais do incenso após a queima.
O pó é trabalhado com pilão e moinho de pedra e misturado com água até formar uma massa homogênea.
“A moagem é feita à mão, com pilão e moinho de pedra, porque a moagem mecânica gera calor e pode destruir os princípios ativos. Após a mistura com água, a massa é moldada com um chifre de boi: o pó é colocado dentro do chifre e, com uma leve pressão do dedo, sai pela ponta em tiras uniformes. Os bastões são então secos à sombra por cinco a seis dias, nunca ao sol direto, para não rachar e não perder os compostos medicinais voláteis”, detalhou Lurong Qilin.
O centro comunitário
Além de preservar e apresentar a tradição, o centro oferece ao público oficinas de fabricação artesanal de incenso tibetano: os visitantes podem aprender a manipular os ingredientes, operar o chifre de boi e preparar os próprios bastões. A entrada é gratuita e o financiamento é estatal.
“Este salão é, acima de tudo, uma iniciativa da nossa Comunidade Jinlong, um espaço educativo público e sem fins lucrativos criado dentro da própria comunidade. Os visitantes podem entrar livremente, sem precisar comprar ingresso. As pessoas que trabalham aqui, incluindo nós mesmos, não são funcionários profissionais. Somos todos voluntários de diferentes áreas da vida que se unem para ajudar a administrar o espaço”, disse Lurong Qilin.
“Em termos da transmissão do conhecimento, ela é principalmente familiar. Mas há também alguns mestres que vieram de outras regiões e se estabeleceram em Shangri-la para desenvolver sua prática, contribuindo para a continuidade dessa tradição. Ainda assim, a linhagem familiar continua sendo a forma dominante de transmissão”, afirmou Lurong Qilin.

