Ana Pompermayer, Cris Pozzobon, Alice Diesel, Heloisa Palaoro, Glaci Salusse Borges e Rosina Duarte, da Agência Livre para a Informação, Cidadania e Educação (Casa Alice) e do Movimento Mulheres Inquietas, estão prontas para mais um desafio: lançar, na quinta-feira (18), o Movimento da Velharada Rebelde (Mover). A atividade será realizada em Porto Alegre, em duas etapas.
A primeira será às 18h, na sede da agência, na rua Olavo Bilac, 188, entre a Cidade Baixa e a Azenha. No lançamento, estão programadas apresentações artísticas e uma feira de artesanato, quitutes e livros. Participantes também debaterão o manifesto, primeiramente esboçado no LerAlice (Leitura, Escrita e Rebeldia), espaço de leitura e escrita coletiva, e posteriormente reescrito no encontro “Tempo da Velharada”, uma prévia realizada em 2025. A fórmula é simples: equilíbrio entre seriedade e bom humor.
A segunda será no domingo (21), às 11h, no Monumento do Expedicionário, no parque da Redenção. Será um lançamento público para que a cidade conheça esta nova perspectiva para a vida, com participação da Rádio na Rua e de artistas locais.
A Casa Alice é um espaço multiuso. Ali funcionam um centro cultural, um espaço de convivência e a sede de projetos que defendem o direito à comunicação, à arte e à cidadania na capital gaúcha. Também é sede do jornal Boca de Rua – veículo trimestral feito por gente que busca oportunidades na vida.
Com 27 anos, a agência é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos e realiza projetos autogestionados, envolvendo comunidades sem representatividade na mídia tradicional nem registro na história oficial.
As Mulheres Inquietas são Alice Diesel, Ana Lúcia Pompermayer e Heloisa Palaoro. Elas tricotam histórias e adereços, refletindo e criando a partir dos temas do envelhecimento e do fim da vida. Tudo começou com um encontro em 2019.
De uma mesa colorida de estudos e reflexões, nasceu a Tricotagem das Mulheres e a participação em feiras de artesanato. Logo em seguida, vieram os Saraus das Inquietas e o “Enquanto o Tempo Passa”, totalizando nove eventos, além de algumas oficinas, que levam ao público os temas do envelhecer e da morte, com arte e leveza.
Combate ao etarismo
O Mover vem com tudo para combater o etarismo, destaca Rosina Duarte, da Casa Alice, do Boca de Rua e de tantos outros projetos. Ela conta que a “velharada não existe só para ir para casas geriátricas e para esperar o ‘futuro’, mas para agitar, se movimentar, ser elétrica como nos tempos de juventude”.
Sem qualquer hierarquia ou chefia, o Mover pretende direcionar o trabalho na articulação com grupos já existentes, disseminando a consciência de que a velhice digna é um direito inalienável e pode ser vivida de forma coletiva, autônoma e comunitária.
Para isso, tem três linhas básicas: proposição de políticas públicas para esta faixa etária, atividades culturais e reuniões regulares para tomada de decisões conjuntas entre os participantes.
“Merecemos e conquistaremos uma velhice digna com nossa união, nossa palavra, nosso realismo e nossa alegria. Porque a alegria, senhores e senhoras, é transgressora, transformadora e revolucionária”, declaram as criadoras do movimento.
*Com apoio de Glaci Salusse Borges

