‘Acordo de paz mostra vitória espetacular do Irã sobre os EUA’, avalia internacionalista

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, assinaram um documento com 14 pontos para um acordo que prevê o fim imediato e permanente do conflito. O memorando foi assinado nesta quarta-feira (17) e já está em vigor.

Dentre os pontos, estão previstas a reabertura do Estreito de Ormuz, a saída militar dos Estados Unidos da região do Golfo, incluindo o fim dos ataques ao Líbano, e compensação financeira de US$ 300 bilhões para reconstrução do Irã, que se comprometeu a não fabricar armas nucleares.

Para Gilberto Maringoni, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC), “o acordo de paz mostra vitória espetacular do Irã sobre os Estados Unidos”. “Imagina um país que, há um mês e meio, dois meses, o presidente dos EUA disse que ia arrasar. Hoje, o Trump senta-se à mesa, embora tenha sido uma mesa virtual. Os 14 pontos mostram que a maioria das exigências são do Irã. Os EUA sofreram uma derrota como essa só contra o Vietnã”, afirma em entrevista ao Conexão BdFsim Rádio Brasil de Fato.

paz armada

Maringoni destaca, no entanto, que o acordo gera alguma desconfiança porque se trata de uma “paz armada”. “É preciso ter clara essa diferença. Não é um acordo em que todo mundo prometeu se desarmar. É uma paz de força, uma paz de choque. Trump, por exemplo, declarou já nesta tarde que o Irã tem que se comportar, porque, senão, ele vai voltar a bombardear. Ou seja, ele está sentindo que o acordo e a repercussão do acordo estão sendo ruins para ele. Mas ele assinou o acordo”, avalia.

O professor apontar ainda que Israel, que é quem está bombardeando o Líbano, não deu sinais de que vá parar esse plano expansionista.

Com relação aos supostos objetivos iniciais dos EUA para o país persa, que incluíam a mudança de regime e o fim do programa nuclear, Maringoni observa que nenhum deles foi atingido e que, por isso, Trump tem insistido em criar contra-narrativas, na esperança de não sair tão derrotado.

“Trump é um homem da comunicação e sabe o valor da imagem. Ele tem que sair, mesmo de um revés, de uma situação adversa, cantando vitória. Dois pontos do tratado abordam a navegação no Estreito de Ormuz, que ele vem colocando como uma vitória dele. Mas isso não existe. Porque o Estreito sempre esteve aberto. Ele foi fechado depois que os EUA atacaram o Irã. O fechamento foi uma humilhação que o Trump sofreu ali”, afirma.

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