O suposto envolvimento do senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo e um dos alvos da 9ª fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal, com o escândalo do Banco Master pode ser analisado a partir de uma perspectiva positiva: a de que, sob o governo Lula, a PF tem autonomia e liberdade total de atuação, o que difere bastante de seu antecessor.
“Diferentemente do governo Bolsonaro, que tentou acobertar muitos de seus aliados, inclusive com tentativas de intervenção na Polícia Federal, Lula demonstra à sociedade que nem mesmo membros do seu partido estariam imunes a investigações envolvendo lavagem de dinheiro ou corrupção. Isso é positivo para o presidente”, avalia o cientista Paulo Niccoli Ramirez, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), em sua participação no Conexão BdFsim Rádio Brasil de Fato.
Mas Ramirez destaca a necessidade de o governo Lula conseguir se comunicar com a sociedade e “separar o joio do trigo”, permitindo uma investigação profunda e ampla, independentemente do partido. Até porque, ressalta o cientista político, à medida que as investigações avançam, os políticos de extrema direita, majoritariamente relacionados à família Bolsonaro, vão se implicando concretamente.
“Sobram informações e casos escandalosos de envolvimento do Vorcaro e seu banco com uma série de seus aliados que agiam na esfera pública para manter os seus interesses e ampliá-los, que é o caso do Ciro Nogueira. Tem o Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, além do próprio Jair Bolsonaro, que teriam sido financiados com recursos de campanha provenientes do Banco Master. Esse fato é amplamente conhecido, e as investigações da Polícia Federal sobre o caso já estão em andamento há algum tempo”, afirma. “É importante o PT não se deixar ser derrotado pela mídia, como costumeiro, tentar mostrar que o caso Jaques Wagner é um caso isolado dentro do partido”, opina.
Além disso, Paulo Niccoli Ramirez defende que o escândalo do Banco Master pode servir de ferramenta política para que Lula exponha quem compõe o Congresso atual. “É a única forma que o governo tem para explicitar à população quem é o Congresso dominado pelo Centrão, pela direita extremamente corrupta, envolvida até o pescoço com casos de lavagem de dinheiro e também de conflitos de interesses entre o setor público e privado”, pontua.
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