Jornada de Agroecologia em Curitiba aproxima campo e cidade, e consolida ‘projeto de vida’, avalia dirigente do MST

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A 23ª edição da Jornada de Agroecologia, realizada em Curitiba (PR), reafirma o evento como um espaço fundamental de troca de saberes, afeto e fortalecimento da agricultura familiar. Em entrevista ao programa Conexão BdFsim Rádio Brasil de FatoBruna Zimpel, integrante da Coordenação Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) pelo Paraná, destacou a pluralidade do encontro, que segue até o dia 21 de junho no Centro Politécnico da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Nesta edição, a feira reúne 137 empreendimentos solidários, cooperados e da agricultura familiar vindos de todas as regiões paranaenses. Para a coordenadora, o evento reflete uma sólida trajetória de organização popular. “A jornada de agroecologia tem uma construção histórica, já está na sua 23ª edição e, a cada ano, ela vem acumulando também experiência, conhecimento e uma história que vai se multiplicando ao longo de todos esses anos”, pontuou Zimpel.

Além das ações concentradas no bairro Jardim das Américas, na capital, a dirigente explicou que o evento atua de forma descentralizada. “A programação é bem ampla e, inclusive, hoje tem atividades acontecendo no campo, nos assentamentos na Lapa e em outros espaços próximos. Então são muitas atividades acontecendo ao mesmo tempo na sua diversidade, assim como é a agroecologia”, detalhou a entrevistada.

Conexão urbana e o engajamento da juventude

A inserção da dia dentro do ambiente universitário cumpre o papel estratégico de expandir o diálogo com a sociedade civil. Segundo a representante do MST, a iniciativa serve para “aproximar cada vez mais e envolver mais pessoas da cidade, e principalmente a juventude que está na universidade”, conectando o público urbano às dimensões reais do que envolve o modelo agrícola sustentável — desde a produção de alimentos até a relação e o cuidado com a natureza.

Mais do que um ponto de comercialização de produtos, a feira funciona como um local voltado para o encontro e o reabastecimento político das bases. “Diríamos assim que a jornada é um espaço onde todo mundo que compreende a importância da agroecologia, da diversidade da vida, vem vivenciar, vem buscar um pouco mais de informações, compartilhar elementos, carregar energia para seguir no dia a dia, efetivando e cultivando essa diversidade”, sintetizou Zimpel.

Cultura, sentimentos e projeto de vida

A extensa programação da 23ª Jornada engloba desde a comercialização na feira até espaços imersivos (como o “túnel do tempo”), oficinas práticas e intensas apresentações artísticas. Questionada sobre o papel da cultura na luta por um modelo de agricultura mais justo, a dirigente fez questão de ressaltar que a arte traz a “sensibilidade da agroecologia”, fortalecendo a dimensão profundamente humana do movimento.

“Quando nós falamos em agroecologia, nós falamos em projeto, projeto de vida que não é só a produção, não é só o material, são as relações humanas. É também essa dimensão dos sentimentos que se colocam e que se fortalecem a partir da cultura”, refletiu a coordenadora. Segundo ela, as manifestações culturais estimulam as “diversas formas de sentir”, despertando os sentidos do público, como a audição e o paladar.

No encerramento da entrevista, Bruna Zimpel reforçou o chamado à população para participar dos espaços de troca e formação. “Gostaríamos de convidar a todos que nos ouvem também e que têm possibilidade de vir para a jornada de agroecologia, vivenciar esse momento tão importante aqui e de tanta riqueza, de tanta diversidade”, finalizou.

Tecnologia e a presença de lideranças populares

Para além dos debates e da comercialização de alimentos saudáveis pela Feira da Agrobiodiversidade, a 23ª edição da Jornada de Agroecologia conta com uma forte programação política e cultural. Entre os destaques das atividades descentralizadas ocorridas nesta sexta-feira (19) no Assentamento Contestado, na Lapa (PR), está a realização do seminário “A Reforma Agrária Popular e as ferramentas para a massificação da agroecologia”, com a exposição de João Pedro Stedile, dirigente nacional do MST.

O grande diferencial tecnológico da edição deste ano é o lançamento oficial da plataforma “Iara” (Inteligência Artificial na Reforma Agrária e Agroecologia). A novidade foi apresentada no período da manhã durante as atividades no assentamento, buscando apresentar à sociedade as inovações tecnológicas e científicas aplicadas diretamente na agricultura familiar e na Reforma Agrária Popular.

Na parte da tarde, o público do assentamento pôde participar de estações temáticas divididas em eixos como Tecnologia na Reforma Agrária, Saúde Popular, Manejo Agroecológico e Cooperativismo. Já no campo cultural do evento, o grande destaque fica por conta do rapper GOG, consagrado como o “poeta do rap nacional”, que lidera uma extensa lista de shows, saraus e batalhas de rima. Toda a organização estruturada pela Associação de Cooperação Agrícola e Reforma Agrária (ACAP) reforça uma tradição solidária do evento prático: para as refeições comunitárias, os participantes devem levar seus próprios pratos e talheres.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube faz Brasil de Fato.

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