As seleções do Brasil e Haiti entram em campo nesta sexta-feira (19) na segunda rodada da fase de grupos da Copa do Mundo 2026, que marca o retorno do país da América Central na competição mundial após 52 anos. A relação entre os dois países compartilha tensões geopolíticas e grande paixão pelo futebol.
Há mais de 20 anos, um amistoso entre Brasil e Haiti, que ficou conhecido como “Jogo da Paz” — mas que de paz não tinha nada — marcou o início da ocupação militar do Exército brasileiro, a Minustah. O processo ficou conhecido por uma série de violações de direitos humanos, que contribuíram para o agravamento da crise humanitária enfrentada pelo país até os dias de hoje.
Tanto em 2004 quanto agora, as entidades ligadas ao futebol, seja a CBF, seja a Fifa, pouco se preocupam com a genuína paixão e identificação que o esporte pode criar nas dinâmicas de uma sociedade e se ocupam dos interesses econômicos e da potencial ferramenta política presentes em amistosos e competições.
Fanáticos por futebol, muitos dos haitianos não escondem a admiração pela seleção brasileira e têm feito da Copa do Mundo uma oportunidade para deixar os problemas um pouco de lado e celebrar a memória, a história e a potência de um povo lutador.
A participação do Haiti nesta Copa é permeada por diversos simbolismos políticos. A começar pelo fato de que a seleção se classificou para o mundial no dia 18 de novembro de 2025, exatamente a data que celebra o 222º aniversário da Batalha de Vertières, o conflito final que consolidou a independência haitiana após a colonização francesa. O uniforme da seleção exibia uma homenagem ao episódio histórico, mas foi censurado pela Fifa.
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