Com a renúncia de Keir Starmer como primeiro-ministro do Reino Unido, oficializada nesta segunda-feira (22), se intensificaram os rumores sobre o favoritismo de Andy Burnham, ex-prefeito de Manchester e recentemente eleito membro do Parlamento britânico, para substituí-lo no cargo.
Curiosamente, foi publicado nesta mesma segunda-feira, em meios de imprensa do país, um documento chamado “O Estado Produtivo”, que defende a implementação de um projeto para reforçar amplamente a capacidade do Estado de gerir de forma direta os serviços públicos, tomando de volta o controle de tais setores das mãos de dezenas de empresas privadas que prestam esses serviços de forma ineficiente.
O documento usa o termo “Manchesterismo”, mencionando iniciativas similares realizadas pelo próprio Burnham durante seu mandato como prefeito de Manchester.
Em um dos seus trechos, o ensaio argumenta que os cidadãos do Reino Unido estão pagando mensalmente diferentes “adicionais de privatização”, termo usado para se referir aos “valores extra embutidos nas contas do dia a dia (água, luz, gás e outros) que funcionam como impostos ocultos e regressivos, que ademais servem para transferir a riqueza dos contribuintes para os acionistas”.
“O governo, então, é forçado a subsidiar os custos inflacionados com transferências de bem-estar social, como auxílio-moradia ou apoio com as contas de energia. Para milhões de famílias, essas despesas básicas consomem uma parcela tão grande da sua renda – e muito mais se considerarmos aquelas que pagam também aluguel e arcam com altos valores em suas despesas com cuidados médicos – que a insegurança econômica se tornou uma condição permanente”, argumenta o ensaio.
O texto também afirma que “os setores essenciais da Grã-Bretanha custam mais do que alternativas comparáveis, não porque produzam mais ou melhor (que o setor público), mas porque estão organizados para extrair mais lucro, e os trabalhadores pagam o preço”.
Membros da equipe
Ademais, o artigo revela o nome dos economistas e demais profissionais que trabalham na elaboração do projeto, e que são apontados como prováveis membros de uma futura equipe de governo, para substituir o time de Starmer.
O principal integrante da equipe é Mathew Lawrence, fundador do think tank Common Wealth e descrito pelo jornal britânico The Guardian como autor do autor dos principais artigos do documento.
Outro nome destacado dentro da equipe de Burnham é o de Miatta Fahnbulleh, que foi ministra de Habitação no governo de Starmer até maio passado, quando rompeu oficialmente com o grupo liderado pelo agora ex-premiê.
Em uma declaração publicada nas redes sociais, a parlamentar do Partido Trabalhista – e nascida na Libéria, mas naturalizada inglesa – classificou o projeto de desprivatização apresentado pela equipa da qual forma parte como “uma importante contribuição para o debate sobre como resolver certos problemas, implementando as mudanças que as pessoas tanto desejam e começando a reconstruir nossa economia fragilizada”.
Segundo o prometido no próprio documento publicado nesta segunda pelo time de Burnham, o objetivo da proposta é “reverter 40 anos de privatização emitindo ‘títulos por ações’ e criando concorrentes estatais”.

