O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou nesta terça-feira (23) que a Rússia está pronta para negociar com a Ucrânia sob determinadas “bases” para que o diálogo aconteça. Estas premissas, segundo ele, são os termos alcançados nos acordos de Istambul, em 2022, e em Anchorage, no Alasca, com o presidente dos EUA, Donald Trump.
“A Rússia, como já foi dito muitas vezes, está pronta para negociações de paz com a Ucrânia, pronta para fazê-lo com base nos acordos alcançados em Istambul e, lembrem-se, rubricados pela delegação ucraniana na época, o que significa que tudo lhes convinha”, disse Putin.
As negociações de Istambul ocorreram durante os primeiros meses da guerra, em 2022. Elas resultaram em um projeto de tratado de paz que estabelecia a impossibilidade da Ucrânia aderir à Otan e uma limitação no tamanho de seu exército em troca de garantias de segurança.
De acordo com este documento, a Crimeia permaneceria de fato sob domínio russo, e o destino das partes anexadas por Moscou em Donbass seria decidido posteriormente em negociações entre Vladimir Putin e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.
As negociações de Istambul de 2022, no entanto, ocorreram antes de a Rússia anunciar a anexação de quatro regiões ucranianas — Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporozhye — e incorporá-las à sua Constituição. Mais recentemente, as autoridades russas vêm afirmando que a condição fundamental para interromper o conflito é a retirada das forças ucranianas das áreas que elas ainda controlam nas regiões de Donetsk e Lugansk.
Neste sentido, além dos termos das negociações de Istambul e do que foi acordado entre Vladimir Putin e Donald Trump em Anchorage, no Alasca, em agosto de 2025, o líder russo afirmou que a “realidade no terreno” do campo de batalha é que deve determinar as condições de diálogo possíveis.
A Ucrânia, por sua vez, recusa ceder os territórios sobre os quais mantém controle na região de Donbass e exige um cessar-fogo como condição para as negociações. Ao mesmo tempo, a Ucrânia tem intensificado os ataques contra refinarias de petróleo e outros alvos em território russo. Em particular, Kiev realizou um ataque sem precedentes em Moscou no último 18 de junho, lançando cerca de 200 drones contra a capital.
Putin comenta pela primeira vez ataques a Moscou
Ao comentar pela primeira vez os recentes ataques de drones ucranianos contra Moscou, realizados na última quinta-feira (18), Putin afirmou que a Ucrânia adotou a tática de atacar a infraestrutura civil russa em meio à situação difícil das tropas ucranianas na frente de batalha.
De acordo com ele, a Ucrânia está atacando a Rússia “com um único propósito: criar condições favoráveis para si mesma no caso do início, ou, mais precisamente, da retomada, das negociações de paz, que foram interrompidas por iniciativa da Ucrânia, a partir de uma suposta posição de força”.
Ao mesmo tempo, o presidente russo alegou que as Forças Armadas ucranianas estão perdendo território e a Rússia está avançando em “toda a linha de contato” no leste ucraniano.
“Que posição de força? Isso só pode ser uma questão de criar a impressão de algum tipo de posição de força. Porque a realidade no campo de batalha é completamente diferente: nosso exército está avançando constantemente”, completou.

